Barein dispersa protesto, polícia prende filha de ativista

A filha de um proeminente ativista de oposição do Barein e outras 40 pessoas foram presas nesta sexta-feira, horas depois de as forças de segurança usarem gás lacrimogêneo e disparos de espingarda para dispersar centenas de manifestantes que exigiam reformas políticas, disseram ativistas.

Reuters

03 de agosto de 2012 | 14h48

Pelo menos 45 pessoas ficaram feridas na operação das forças de segurança para acabar com as três manifestações separadas em todo o reino insular do Golfo Pérsico, na noite de quinta-feira, contaram eles.

O Barein reprimiu no ano passado uma revolta liderada pelos muçulmanos xiitas, maioria no país, após revoltas populares bem-sucedidas na Tunísia e no Egito, mas marchas de protesto e manifestações continuam, levando por vezes a confrontos entre a polícia e jovens xiitas.

Xiitas do Barein dizem que têm sido marginalizados na vida política e econômica, o que o governo nega. Governantes sunitas do Barein rejeitaram a exigência principal da oposição -- um parlamento eleito com plenos poderes para aprovar leis e formar governos.

O diretor da Sociedade Jovem do Barein para os Direitos Humanos, Mohammed al-Maskati, disse que a ativista Zainab al-Khawaja foi presa nesta sexta-feira quando tentava realizar um protesto solitário sentada na rua al-Badei, perto da capital Manama.

Zainab é a filha de Abdulhadi al-Khawaja, uma figura líder da comunidade xiita no levante que pôs fim a uma greve de fome de mais de três meses de duração em maio, depois de chamar a atenção para a questão dos ativistas presos.

"Ela havia participado das manifestações e então se dirigiu à rua para iniciar o protesto sentada. Foi aí que ela foi presa", disse Maskati à Reuters por telefone.

"A partir da informação que conseguimos reunir de advogados e das famílias dos manifestantes, pelo menos outros 40 foram presos também", afirmou ele, acrescentando que a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Não houve relatos de ferimentos graves.

"Todos os três protestos foram fortemente reprimidos com gás lacrimogêneo e tiros de espingarda, com relatos de pelo menos 40 a 45 pessoas feridas", disse Maskati, acrescentando que as lesões variavam de leve a grave.

Autoridades do governo não estavam imediatamente disponíveis para comentar o assunto.

O Ministério do Interior disse em um comunicado em seu site que "instigadores do motim" jogaram coquetéis molotov contra um veículo do ministério numa estrada perto de Bani Jamra, mas que o condutor e seu companheiro escaparam ilesos.

Zainab al-Khawaja foi presa anteriormente em 21 de abril por tentar realizar um protesto em Manama durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 do Bahrein. Ela foi condenada em maio a um mês de prisão e multa de 200 dinares (530 dólares) por uma acusação separada relativa a insultar um funcionário do governo.

(Reportagem de Maha El Dahan)

Mais conteúdo sobre:
BAREINPROTESTOSDISPERSOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.