Barein interroga jornalistas e pode processar ativista

Um promotor do Barein interrogou na segunda-feira três influentes jornalistas demitidos do único jornal oposicionista do reino sob a acusação de falsificarem notícias a respeito da repressão governamental a protestos.

REUTERS

11 de abril de 2011 | 19h34

Separadamente, o governo disse ter libertado 86 pessoas detidas sob os termos da lei marcial em vigor no pequeno país do golfo Pérsico, e intimou a depor um ativista de direitos humanos acusado de fabricar imagens de um cadáver que circulam na Internet.

O Barein tem registrado alguns dos piores distúrbios na sua história desde que integrantes da maioria xiita saíram às ruas para se queixar de discriminações, inspirando-se nas recentes rebeliões que derrubaram os governos do Egito e Tunísia.

O rei do Barein, ligado à minoria sunita, pediu ajuda militar saudita, impôs a lei marcial e lançou uma ofensiva, em 16 de março, que resultou em mais de 300 prisões. Ao menos 13 civis e quatro policiais morreram.

O jornal Al Wasat foi proibido de circular em 2 de abril por causa da acusação de ter falsificado notícias, mas voltou a ser publicado no dia seguinte, após três jornalistas aceitarem se demitir - o editor-chefe Mansur al Jamri, o editor-executivo Walid Noueihed, e o editor de noticiário local, Aqeel Mirza.

Em 4 de abril, dois jornalistas iraquianos que trabalhavam no Al Wasat, Raheem al Kaabi and Ali al Sherify, foram deportados sumariamente.

O procurador-geral do Barein, Ali Bin al Fadhl Bouainain, disse que Jamri, Noueihed e Mirza aguardarão em liberdade a conclusão das investigações.

"Os réus foram acusados de (...) publicarem notícias falsas (...), perturbarem a paz pública e prejudicarem os interesses gerais do Estado, e as provas foram apresentadas a eles", disse Bouainain em nota divulgada pela agência oficial de notícias BNA.

Não ficou claro qual sentença poderá ser imposta sob a lei marcial. Os réus disseram que tiveram acesso a advogados.

Jamri, primeiro a ser interrogado, afirmou que seis artigos inverídicos foram enviados por email ao Al Wasat, inclusive com telefones falsos. Todos tinham o mesmo endereço IP, e seriam parte de uma suposta campanha para disseminar mentiras.

Ele disse que essas informações passaram despercebidas pelos controles editoriais porque o Al Wasat estava com sua equipe desfalcada. A gráfica do jornal havia sido atacada por criminosos em 14 de março, e a redação estava dentro de um bairro atingido por um toque de recolher naquela semana.

"Eu rejeitei todas as acusações de que nós tenhamos conscientemente publicado qualquer notícia falsa para desestabilizar o país", disse Jamri à Reuters.

"Eles me perguntaram como nós fazíamos nosso trabalho e quem era o responsável, mas eu disse que era eu, porque tínhamos reduzido a nossa equipe. Estávamos trabalhando sob circunstâncias excepcionais", disse ele após a audiência, que durou mais de duas horas. "O erro não foi feito de propósito. Alguém fez uma armadilha para nós."

Não está claro quando o julgamento irá começar. A entidade Human Rights Watch afirmou que os casos deveriam ser arquivados.

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