Barein tenta dissolver principal grupo de oposição

O Barein anunciou nesta quinta-feira que vai buscar aprovação judicial para dissolver o principal partido de oposição xiita, o Wefaq, na ação mais contundente já tomada contra um grupo moderado que ocupa a maioria das cadeiras contra o governo no Parlamento.

REUTERS

14 de abril de 2011 | 12h40

"O Ministério da Justiça e dos Assuntos Islâmicos anunciou que está iniciando ação legal para dissolver o partido de Ação Islâmica e o grupo Wefaq", disse um comunicado divulgado pela agência Bahrain News (BNA).

"Isso se deve a importantes violações da Constituição e das leis do reino, à realização de atividades que prejudicaram a paz social e unidade nacional, e à incitação ao desrespeito pelas instituições constitucionais."

No mês passado os governantes sunitas do Barein esmagaram semanas de protestos liderados principalmente por xiitas, posicionando forças de segurança por toda a capital e convocando tropas dos vizinhos Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, ambos também governados por sunitas.

O levante assustou os Estados do Golfo governados por sunitas, que temem que, se o movimento pró-democracia tiver êxito no Barein, ele possa se espalhar para outros países. Governantes do Golfo acusaram o Irã, potência xiita não árabe, de ingerência no Barein, onde os xiitas formam a maioria da população.

O rei Hamad bin Isa foi a Riad na noite de quinta-feira para um encontro com o príncipe herdeiro saudita Sultan em que foi discutida a melhora das relações entre os dois países, disse a BNA.

A Arábia Saudita, ligada ao Barein -- que é uma ilha -- por uma via elevada, é vista como fonte de apoio financeiro crucial para o Barein. O rei foi ao aeroporto de Riad para receber o rei saudita Abdullah em seu retorno ao país em fevereiro, depois de viajar para tratamento de saúde. Nesse momento, segundo analistas, pressões fortes foram exercidas sobre Manama pelos países do Golfo para que colocasse fim ao movimento de protestos.

Nas últimas semanas o governo barenita lançou uma onda de repressão, prendendo centenas de xiitas e demitindo funcionários xiitas de empresas estatais.

(Reportagem de Andrew Hammond e Frederik Richter)

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