Base de Haddad cria CPI governista dos Transportes

Com a tarefa de investigar os contratos bilionários da Prefeitura de São Paulo com as empresas de ônibus e peruas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Transportes criada nesta quinta-feira pela Câmara Municipal terá entre os integrantes o principal líder de perueiros da zona sul, Milton Leite (DEM), o vereador ligado aos ambulantes da Feira da Madrugada, Adilson Amadeu (PTB), e o ex-presidente da Casa na época da Máfia dos Fiscais e da gestão Celso Pitta (1997-2000), Nelo Rodolfo (PMDB).

DIETO ZANCHETTA, Agência Estado

27 de junho de 2013 | 18h40

Por 40 votos favoráveis e 11 contrários, a base governista do prefeito Fernando Haddad (PT) conseguiu, após manobra, aprovar nesta tarde, por volta das 15h50, o requerimento do vereador Paulo Fiorilo (PT) que cria a CPI. Até terça-feira, 25, porém, os petistas lutavam para barrar a aprovação da CPI, pedida pelos vereadores Ricardo Young (PPS) e Paulo Frange (PTB). O recuo foi acertado em reunião da bancada realizada nesta quarta-feira, 26, após pressão popular pela criação da CPI.

Fiorilo será o presidente da comissão e Leite, ligado à Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos em Transportes de São Paulo (Cooper-Pam), com 1.300 veículos - 18% da frota de peruas que circulam na capital paulista -, ficará como relator. A comissão terá ainda o governista Amadeu, ex-despachante e hoje influente na Feira da Madrugada, e o publicitário e ex-tucano Dalton Silvano (PV), hoje na base de Haddad.

Ligada ao ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) e com reduto eleitoral entre igrejas católicas e evangélicas na região da Vila Prudente, na zona leste, a vereadora Edir Sales (PSD) também integrará a CPI. O único vereador de oposição na CPI será o líder do PSDB, Floriano Pesaro.

A oposição diz que a administração municipal, pressionada pelo Movimento Passe Livre (MPL), fez manobra para criar uma CPI chapa-branca. "Quero alertar que está sendo criada uma comissão totalmente ligada ao governo, uma CPI chapa-branca", afirmou Young. Os integrantes da comissão rebatem as críticas.

"Tem de investigar mesmo, os perueiros não temem nenhuma investigação. Nós recebemos 1,55 real por passageiro, e as empresas de ônibus recebem 2,33 reais.Vamos para o pau", afirmou Leite. "Eu falo em nome dos perueiros. Quem recebe 1,55 reais por passageiro não tem o que esconder", acrescentou.

"Não vai ser CPI chapa-branca. Vai ser uma CPI que vai defender os interesses da cidade, que vai investigar o custo do transporte na capital", argumentou Fiorilo. Pesaro, entretanto, teme que se torne uma "CPI mais que chapa-branca." De acordo com o vereador Toninho Vespoli (Psol), a CPI não tem nenhuma credibilidade. "Vai ser chapa-branca e ligada ao governo", disse.

A CPI será instalada nesta sexta-feira, 28, no mesmo dia em que o Ministério Público Estadual (MPE) ouvirá depoimentos de empresários donos de viações de ônibus e de cooperativas de peruas. O promotor Saad Mazloum quer fazer perguntas aos empresários sobre o custo da tarifa do transporte na capital.

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