Base no Casaquistão acumula 50 anos de entulho espacial

Duas coisas saltam logo aos olhos de quem chega ao Cosmódromo de Baikonur, no Casaquistão: a paisagem desértica e o entulho de cinco décadas de exploração espacial.Se em alguns locais o movimento é intenso, como a plataforma de lançamento Gagarin, de onde vai decolar nesta quinta-feira (quarta-feira em Brasília) o cosmonauta brasileiro, Marcos Pontes, em outros tem-se a sensação de estar em uma cidade fantasma.O pontapé inicial para a construção da base espacial foi dado pelo governo soviético em 1955. Desde então, ela nunca parou de crescer. Não se sabe ao certo quantas plataformas de lançamento já foram construídas nos mais de 6,1 mil quilômetros quadrados da base - um espaço equivalente a mais de 6,1 mil campos de futebol.Muitas delas continuam sendo usadas tanto para fins militares como para fins comerciais, como lançamento de satélites. Outras, estão quase totalmente abandonadas.BuranUm desses casos é o da plataforma da empresa Energia, responsável pelo desenvolvimento, testes e lançamento dos foguetes de propulsão que levaram o ônibus espacial soviético, o Buran, ao espaço.Ainda estão de pé as enormes estruturas metálicas de até 217 metros de altura que abasteciam e sustentavam os foguetes capazes de levar à órbita da Terra cerca de 100 mil toneladas de carga, cerca de quatro vezes a carga suportada pelo Soyuz.No entanto, o projeto não foi adiante, já que os russos abandonaram a idéia de um ônibus espacial depois de conseguir pôr o Buran em órbita e fazê-lo voltar à Terra em um vôo não tripulado.Hoje, de acordo com um representante da Energia, a manutenção das instalações custa "dezenas de milhões de dólares" por ano. A única vez que uma nave foi lançada de lá foi em 1991.Em outras áreas, pode-se ver ferro velho abandonado e até restos de estradas de ferro, que sem os dormentes reforçam a sensação de abandono em Baikonur.CustoDesde 1991, o governo do Casaquistão passou a cobrar aluguel pelo uso da área da base, o que encareceu ainda mais o custo operacional do cosmódromo.Ainda faltam algumas décadas para o atual contrato vencer, mas o governo russo já estuda planos de ampliar uma base espacial que existe em território russo.Ironicamente, para Baikonur, a mais antiga estação espacial do mundo, onde praticamente começou a exploração espacial, a esperança hoje são as parcerias com os Estados Unidos e outros países que possam financiar o alto custo das operações.

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