Bashir defende lei islâmica no Sudão e chicotadas em mulheres

O presidente do Sudão disse neste domingo que o país adotará uma Constituição inteiramente islâmica se o sul se dividir da Nação após um referendo. As afirmações foram feitas em um discurso no qual ele também defendeu policiais que foram filmados chicoteando uma mulher.

REUTERS

19 de dezembro de 2010 | 13h42

"Se o Sudão do sul se separar, mudaremos a Constituição e, nesse momento, não haverá mais tempo para falar sobre diversidade de cultura e afiliação étnica," afirmou o presidente Omar Hassan al-Bashir a partidários em um comício na cidade de Gedaref, no leste do país.

"A sharia e o islã serão a fonte principal da Constituição, o islã a religião oficial e o árabe o idioma oficial," afirmou.

Os sudaneses do sul realizarão uma votação daqui a três semanas para decidir se querem declarar independência de parte do Sudão, um plebiscito prometido em um acordo de paz de 2005 e que encerrou décadas de guerra entre o norte, que é muçulmano, e o sul, onde a maioria segue os credos do cristianismo.

Esse acordo de 2005 estabeleceu uma Constituição interina, que limitava a lei islâmica sharia ao norte e reconhecia "a diversidade cultural e social do povo sudanês."

Bashir também defendeu policiais que deram chibatadas em uma mulher em vídeo que foi publicado no site YouTube.

"Se ela é chicoteada de acordo com a lei sharia, não haverá investigação. Por que as pessoas estão envergonhadas? Essa é a sharia," disse.

(Reportagem de Khaled Abdel Aziz)

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