BB estuda a captação de R$ 10 bilhões em Nova York

O Banco do Brasil (BB) estuda captar o equivalente a até R$ 10 bilhões na Bolsa de Nova York. Na semana passada, o presidente da instituição, Aldemir Bendine, já havia dito que o BB deve lançar, até o fim do ano, recibos de ações (os chamados ADRs) no mercado americano. Seriam ADRs de nível 1, que não implicam emissão de novos papéis e, portanto, não resultam em dinheiro no caixa. A principal vantagem seria aumentar a liquidez das ações. Mas o Estado apurou que o BB deve ampliar a operação e captar recursos com ADRs de nível 2 (negociados no pregão de Nova York).

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

Segundo fontes de mercado, a opção de restringir a operação a Nova York, excluindo a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), é explicada pela possibilidade de o investidor estrangeiro não pagar IOF. Quando o governo anunciou a taxação de 2% do investimento estrangeiro em ações e renda fixa no País, vários analistas alertaram que a medida poderia atrapalhar os planos de empresas que tinham - e têm - o objetivo de se capitalizar. O banco de investimentos BTG Pactual está estruturando a operação.

O maior empecilho para que a ideia se concretize no curto prazo é o fato de o BB ainda não estar adequado às regras para ter ADRs de nível 2, mais rígidas do que para os de nível 1.

De acordo com o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, a captação atende a vários objetivos de uma só vez. Em primeiro lugar, aumenta o capital do BB, permitindo que o banco continue a avançar no crédito. Em segundo, aproxima o banco da meta de ampliar a quantidade de ações no mercado (o chamado free float). Em terceiro, renderá dividendos à União, maior acionista do BB.

Em quarto, ajuda a instituição a arcar com despesas recentes com a reestruturação da área de seguros, com a compra de 49% do Votorantim (por R$ 5,5 bilhões) e da Nossa Caixa (por R$ 7,56 bilhões, sendo R$ 5,4 bilhões ao governo paulista e o restante para minoritários).

Por fim, Santacreu lembra que o mercado internacional está extremamente favorável para companhias brasileiras. Em meados de outubro, o próprio BB concluiu a captação de US$ 1,5 bilhão, cuja demanda, segundo fontes de mercado, chegou a US$ 14 bilhões. O objetivo da emissão era aumentar a capacidade de empréstimos do banco.

Duas decisões recentes possibilitaram ao BB negociar ações na Bolsa de Nova York. Em meados de setembro, o Conselho Monetário Nacional autorizou o banco a emitir ADRs e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto permitindo o aumento da participação de estrangeiros no capital da instituição, de 12,5% para 20%.

Quando aderiu ao Novo Mercado da Bovespa (em que as regras de governança corporativa são mais rígidas), em 2006, o BB se comprometeu a elevar o free float para 25% até meados de 2009. Naquele ano e em 2007, fez emissões para ampliar o número de ações. Mesmo assim, ainda não atingiu o nível exigido, de 25% (atualmente é de 21,7%). Procurado, o banco não se pronunciou.

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