BB estuda aumentar capital para poder emprestar mais

Banco também avalia oferta secundária para atender ao Novo Mercado

Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

O Banco do Brasil (BB) anunciou ontem que vai estudar, com o Tesouro Nacional, o aumento de seu capital para alavancar sua capacidade de ofertar crédito. A capitalização ocorreria por meio da emissão primária de ações (lançamento de novos papéis), da qual devem participar os investidores privados e o próprio Tesouro, que não abre mão do controle acionário do banco.

Além da oferta primária, será avaliada também a possibilidade de uma oferta secundária (venda ao mercado de ações que estão com os controladores). Nesse caso, o objetivo é atingir o nível mínimo de 25% de ações em circulação, exigido pelo Novo Mercado da Bovespa, que tem regras mais rígidas de governança corporativa - relacionamento adequado entre empresas e investidores. O BB tem até 2011 para atingir esse índice.

Conforme o balanço do terceiro trimestre, o BB tem 21,7% das ações em circulação no mercado. O Tesouro detém 65,4% do capital do banco. A venda de uma fatia de 4% a 5% dessas ações seria suficiente para que o indicador fosse atingido. Mas também poderiam ser vendidas ações da carteira do fundo de previdência dos funcionários, o Previ (10,4%) ou da BNDESpar (2,5%).

O vice-presidente de Finanças do BB, Ivan Monteiro, afirmou que, se os estudos recomendarem a emissão primária, o Tesouro deverá acompanhar a operação de aumento de capital. Monteiro explicou que a intenção do BB é garantir capacidade para aumentar sua carteira de crédito em um contexto de forte expansão da atividade econômica, e consolidar a incorporação da Nossa Caixa e de metade do Banco Votorantim.

Com a Nossa Caixa, segundo Monteiro, o BB vai ampliar o crédito em São Paulo e, com o Votorantim, o financiamento de automóveis. Ele lembrou que o índice de Basileia do BB - que mede a relação entre capital e volume emprestado - está em 13,9%, o que permitiria elevar a carteira em R$ 100 bilhões. Mas é importante ter musculatura extra para expandir o crédito sem restrições. O mínimo permitido pelo Banco Central é de 11%.

De acordo com o executivo, caso a decisão seja pelas emissões primária e secundária, elas ocorrerão ao mesmo tempo. O BB não fala nem de data das operações nem dos volumes.

LANÇAMENTO DE ADR

O BB também informou que o lançamento de ADRs em Nova York está previsto para 2 de dezembro. ADR é a sigla dos American Depositary Receipts, que representam ações de uma instituição e são negociados nos Estados Unidos. A emissão desse instrumento é uma forma de captação de recursos no exterior e um caminho para a internacionalização.

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