BC altera compulsório adicional e libera até R$ 40 bi aos bancos

Ao contrário de outras medidas do BC, ação tem como objetivo compensar efeito sobre títulos públicos

Reuters,

13 Novembro 2008 | 09h00

O Banco Central (BC) anunciou nesta quinta-feira, 13, novas alterações nos recolhimentos compulsórios exigidos dos bancos. A partir de 1º de dezembro, o recolhimento compulsório adicional exigido dos bancos sobre depósitos a prazo, à vista e de poupança passará a ser em títulos públicos e não mais em dinheiro. A medida tem o potencial de liberar às instituições R$ 40 bilhões, que é o volume atual que estes compulsórios representam. Ao contrário das outras medidas anteriormente divulgadas, porém, as ações desta quinta têm como objetivo compensar o efeito sobre o mercado de títulos públicos que outra mudança nas regras do compulsório, divulgada no dia 30 de outubro, pode provocar (entenda).   Veja também: Entenda as ações do Banco Central anunciadas nesta quinta Economista aconselha reduzir gastos no Natal e poupar 13º Recuperação da Europa, EUA e Japão virá em 2010, diz OCDE PIB da Alemanha cai pela 2º vez consecutiva   De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos As alíquotas do compulsório adicional  - 5% para depósitos a prazo e à vista e 10% para poupança - permanecem inalteradas. Porém, a remuneração deste recolhimento dependerá do título que cada banco entregar ao BC e não mais da taxa básica de juros, a Selic.   A liberação desses recursos tem como objetivo reduzir o impacto da crise financeira internacional, que diminuiu drasticamente a oferta de dinheiro disponível nos bancos. Com isso, clientes, empresas e até mesmo os bancos de menor porte têm enfrentado dificuldade para captar recursos no mercado. A liberação de compulsório também foi usada como incentivo à compra de carteiras de bancos pequenos por grandes instituições.   BC já liberou R$ 56 bi Em relatório divulgado na última quarta-feira, o BC afirmou que o conjunto de medidas tomadas para elevar a liquidez no mercado por meio da liberação dos depósitos compulsórios já havia injetado R$ 56,068 bilhões na economia desde setembro.   O segmento que mais liberou recursos foi o que incide sobre a exigibilidade adicional dos depósitos à vista, a prazo e poupança, que injetou R$ 22,730 bilhões no acumulado desde setembro. Em seguida, os depósitos a prazo - como os Certificados de Depósito Bancário - tiveram liberação de R$ 21,566 bilhões no compulsório.   Em terceiro entre os ramos que mais liberaram recursos no mercado estão os depósitos à vista (conta corrente), com injeção de R$ 6,586 bilhões. Por fim, os depósitos interfinanceiros de empresas de leasing colaboraram com outros R$ 5,648 bilhões no mercado.   Apesar das medidas, os bancos mantinham R$ 215,947 bilhões no BC na última sexta-feira, 17. O presidente do BC, Henrique Meirelles, já havia sinalizado que, se necessário, poderiam ser anunciadas novas liberações desses recursos para ajudar a melhorar a liquidez do mercado brasileiro.   Medidas que o governo já adotou para ajudar a restabelecer o crédito:   - Determinou a ampliação do desconto usado no cálculo do compulsório adicional sobre depósitos à vista, a prazo e de poupança e adiou a implementação do recolhimento sobre depósitos de empresas de leasing. As medidas permitiram a liberação de R$ 13,2 bilhões   - Liberou R$ 7 bilhões do FGTS para capitalizar o BNDES e garantir a manutenção do crédito   - Autorizou bancos que comprarem carteiras de crédito de instituições menores a terem redução do compulsório. A medida libera R$ 23,5 bilhões   - Deu autorização a bancos que operam no exterior a emprestar dólares das reservas internacionais para financiar exportações   - Liberou R$ 5 bilhões para linhas de pré-embarque de mercadorias ao exterior   -  Elevou o abatimento usado no cálculo do compulsório sobre depósitos a prazo, liberando ao mercado R$ 23,2 bilhões   - Novas regras do BC prevêem a liberação de compulsórios num total de até R$ 100 bilhões. No curto prazo, devem ser injetados no mercado R$ 47 bilhões   - Mudança de regras do Conselho Monetário Nacional (CMN) injetou mais R$ 5,5 bilhões no crédito rural para garantir o plantio. O Banco do Brasil já havia decidido antecipar a liberação de R$ 5 bilhões para a agricultura previstos para esta safra   - Governo anunciou um programa de financiamento de capital de giro para as construtoras que pode chegar a R$ 11 bilhões   - Banco do Brasil vai fornecer empréstimos de R$ 4 bilhões aos bancos das montadoras e outros R$ 5 bilhões para capital de giro de médias e pequenas empresas   - BNDES terá linha de financiamentos de R$ 10 bilhões para capital de giro de médias e grandes empresas, empréstimos de pré-embarque e empréstimos-pontes   - Ampliou o prazo de pagamento de alguns impostos federais, o que deve significar um alívio de R$ 21 bilhões para as empresas   - Fechou, por meio da Caixa Econômica Federal, parceria com redes varejistas para financiar R$ 2 bilhões em bens de consumo para a população     (com Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado)

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