Chinatopix/ AP
Chinatopix/ AP

BC chinês corta o compulsório de bancos pela 5ª vez em um ano

Medida tem como objetivo estimular o crédito e deve levar a uma desvalorização ainda maior do yuan, que atingiu seu menor nível em cerca de três semanas frente ao dólar

Sergio Caldas, O Estado de S. Paulo

29 Fevereiro 2016 | 11h53

PEQUIM - O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) anunciou nesta segunda-feira um corte no compulsório (dinheiro das instituições financeiras que fica depositado nos BCs) para todos os bancos, de 0,5 ponto porcentual, a 17%. Foi o quinto corte em um período de aproximadamente um ano. O objetivo é dar liquidez para o sistema financeiro e manter estável o crescimento do crédito. 

Analistas estimam que o corte irá liberar cerca de 700 bilhões de yuans (US$ 108 bilhões) em recursos para os bancos repassarem na forma de empréstimos. 

A medida entra em vigor nesta terça-feira e veio após as 20 maiores economias do mundo - que formam o G-20 - terem se reunido por dois dias em Xangai, na sexta-feira e no sábado. Na ocasião, o G-20 endossou a postura mais acomodatícia da China e, ao mesmo tempo, apelou a Pequim que não desvalorize o yuan.

O novo corte do compulsório, no entanto, tende a ampliar a desvalorização da moeda chinesa, que vem em trajetória de queda desde a semana passada. Para Iris Pang, economista sênior da Natixis, a medida foi inesperada, principalmente depois da recente iniciativa do PBoC de atuar diariamente via operações de mercado aberto, e não mais apenas às terças e quintas, como costumava fazer. Hoje, por exemplo, o BC chinês fez uma injeção líquida de 150 bilhões de yuans no sistema bancário.

A economista do Natixis prevê que a decisão certamente ampliará a desvalorização do yuan, tanto no mercado onshore (em Xangai) quanto no offshore (em Hong Kong), e que o PBoC precisará orientar os bancos comerciais para garantir que a liquidez extra não seja usada para salvar empresas "zumbi" de indústrias com excesso de capacidade.

O corte veio depois de a Bolsa de Xangai, a principal da China, fechar em forte baixa nesta segunda-feira e de o yuan atingir seu menor nível em cerca de três semanas frente ao dólar.

Larry Hu, economista do Macquarie, também ficou surpreso com a redução do compulsório, uma vez que o PBoC havia sinalizado anteriormente que evitaria esse tipo de medida para não pressionar o yuan. Hu acredita que novos cortes virão ao longo de 2016, numa estratégia para ampliar a liquidez doméstica, em meio a saídas de capital, e impulsionar o crescimento econômico. 

Mais conteúdo sobre:
G-20China

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.