BC dos Emirados garante bancos

Instituição tenta acalmar mercado com garantia de liquidez a bancos nacionais e estrangeiros que atuam no país

, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2009 | 00h00

O Banco Central dos Emirados Árabes Unidos anunciou ontem que "respaldará" os bancos locais e estrangeiros que operam localmente. Vai oferecer acesso a capitais, em um sinal de que o país do Oriente Médio se apressa para acalmar os investidores preocupados com a dívida de Dubai, depois que a empresa Dubai World se declarou em moratória.

A instituição emitiu aviso aos bancos nacionais e estrangeiros com subsidiárias nos Emirados Árabes afirmando que colocará à disposição "uma unidade especial de liquidez adicional relacionada com suas contas correntes no Banco Central", relatou ontem a agência de notícias oficial dos Emirados Árabes Unidos, WAM.

Analistas afirmaram que a ação é preventiva, para evitar a fuga de capitais e a corrida a saques quando os mercados reabrirem, hoje. John Sfakianakis, economista-chefe do Banque Saudi Fransi-Credit Agricole Group, disse que o movimento do BC "é importante porque a principal preocupação é que possa haver pânico por parte dos correntistas e dos banqueiros que queiram tirar depósitos do sistema bancário".

"O instrumento do BC vai cobrir as preocupações imediatas relacionadas a depósitos nos bancos dos Emirados Árabes Unidos", afirmou Ghanem Nuseibeh, analista da consultoria Political Capital. "Não significa que o empréstimo necessariamente vai diminuir. Ainda não sabemos a exposição dos bancos dos Emirados Árabes Unidos aos problemas de Dubai."

O presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, também afirmou no sábado que, em razão do dia de Ação de Graças nos EUA, o mercado financeiro não funcionou em tempo integral na sexta-feira, e seria preciso aguardar como as bolsas americanas vão se comportar hoje. "Vamos aguardar como vai reagir o mercado norte-americano. Mas, independentemente disso, a situação serve como alerta de que temos problemas à frente e devemos evitar excesso de exuberância", disse Meirelles.

A Dubai World, cujas ações abarcam propriedades que vão de portos a bens imobiliários, surpreendeu o mundo no dia 25 ao anunciar que pedirá o adiamento do pagamento de dívidas pelo menos até maio, assim como as dívidas pendentes de sua subsidiária de bens imobiliários Nakheel PJSC. Essa subsidiária deveria pagar até US$ 3,5 bilhões em dezembro.

O anúncio de ontem foi o indício mais claro de que o conglomerado, que foi o principal motor do crescimento de Dubai na década, tem um fluxo de dívidas incontrolável. A declaração do BC surge dias depois de os mercados mundiais reagirem com temor às notícias de que a Dubai World pediria o adiamento de seis meses no pagamento de parte dos US$ 60 bilhões de suas dívidas.

As obrigações da empresa com credores atingem pelo menos R$ 80 bilhões. Contudo, a Dubai World "negou completamente a ideia de se livrar de alguns de seus investimentos lucrativos e bens imobiliários produtivos a um preço menor do que seu valor", disse um funcionário da empresa que pediu anonimato. As declarações não deixam claro de que maneira os diretores do conglomerado, que têm ligação com a família real de Dubai, pretendem solucionar a crise que pode destruir o prestígio de Dubai.

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