BC eleva estimativa de déficit externo para 2011

O país acumulou até novembro um déficit em transações correntes mais de duas vezes superior ao do mesmo período do ano passado, em um reflexo da explosão da demanda doméstica por bens e serviços importados, e o Banco Central elevou seu prognóstico para o rombo em 2011.

ISABEL VERSIANI E ANA NICOLACI DA COSTA, REUTERS

21 de dezembro de 2010 | 13h57

Tanto neste ano quanto no próximo, o déficit em conta corrente não poderá ser coberto exclusivamente com investimentos estrangeiros diretos, apesar da aceleração desses fluxos verificada nos últimos meses.

Os investimentos de estrangeiros em portfólio, contudo, superarão com folga a necessidade, tendo batido recorde este ano, sob o impacto da operação de capitalização da Petrobras, mostraram números divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira.

Em novembro, o déficit em conta corrente foi de 4,696 bilhões de dólares, o pior resultado para o mês da série do BC, iniciada em 1947. O dado veio em linha com o esperado pelo mercado e se compara com um saldo negativo de 3,273 bilhões de dólares em igual mês do ano passado.

No ano, o déficit em conta corrente soma 43,5 bilhões de dólares, contra 18,4 bilhões de dólares no mesmo período de 2009.

"As despesas continuam crecendo em linha com o crecimento da renda, em linha com a inclusão de novos agentes...e com o comportamento do câmbio também", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a jornalistas.

O BC estima que o déficit fechará o ano em 49 bilhões de dólares, mais que o dobro do déficit de 24 bilhões de dólares registrado em 2009. Para 2011, a estimativa foi elevada para um déficit de 64 bilhões de dólares, ante projeção anterior de 60 bilhões de dólares divulgada em setembro.

Apesar da alta, Lopes destacou a "acomodação bastante razoável" do déficit no ano que vem, com a desaceleração do crescimento de gastos previstos em itens como viagens e aluguel de equipamentos e também uma redução das remessas de lucros e dividendos.

INVESTIMENTO RECORDE

As aplicações de estrangeiros em portfólio baterão recorde histórico em 2010, sob o impacto da operação de capitalização da Petrobras, apesar de uma retração nas aplicações esperadas na renda fixa por conta do aumento da taxação de etrangeiros.

Até novembro, as aplicações em portfólio somam 50,4 bilhões de dólares, e o BC prevê que elas chegarão ao final do ano em 51,3 bilhões de dólares.

Do total de 2010, 13,6 bilhões de dólares referem-se a aplicações estimadas em renda fixa. O BC reduziu sua estimativa para o investimento, que até então estava em 16 bilhões de dólares, por conta da elevação do IOF cobrado sobre os investimentos estrangeiros em renda fixa, de 2 por cento para 6 por cento.

Para 2011, contudo, a autoridade monetária prevê que os investimentos em títulos públicos seguirão em alta, atingindo 15 bilhões de dólares, com aumento dos investimentos de médio e longo prazo, que são menos afetados pela taxação.

Já os investimentos estrangeiros diretos somaram 33,136 bilhões de dólares, e o BC elevou sua projeção para o fluxo no ano de 30 bilhões de dólares para 38 bilhões, e Lopes destacou que a marca pode ser superada.

"Estamos de fato observando ingressos expressivos de investimento estrangeiro direto ao longo desse segundo semestre. Exatamente por isso é que, ao mencionar os 38 bilhoes de projeção para 2010, eu já ouso dizer que esse número será superado."

(Com reportagem adicional de Peter Murphy; Edição de Vanessa Stelzer)

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