BC mantém juro, mas deixa porta aberta sobre decisões

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juro em 8,75 por cento na primeira reunião de 2010, mas mudou o comunicado e deixou a porta aberta sobre os próximos passos.

ISABEL VERSIANI, REUTERS

27 de janeiro de 2010 | 20h06

Na breve nota que acompanhou a decisão, o colegiado do Banco Central afirmou que "irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária".

A decisão desta quarta-feira foi unânime e confirmou as expectativas do mercado sobre a Selic. Foi a quarta reunião consecutiva em que o Copom optou pela manutenção da Selic.

Pesquisa da Reuters no final da semana passada mostrou que, de 24 instituições financeiras ouvidas, todas já previam a manutenção do juro básico. Analistas aguardavam uma sinalização do BC sobre os próximos passos no comunicado.

"O Copom manteve um tom aberto, abrindo espaço para mudanças de avaliação ao longo das próximas semanas", afirmou o economista-chefe da corretora Ativa, Arthur Carvalho Filho. "Entendemos que isso vem em linha com o nosso cenário de alta em abril."

Para José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, o comentário sucinto do Copom "é um sinal explícito de que o BC está monitorando o cenário e que, se não na próxima reunião, na seguinte o juro vai subir".

As próximas reuniões do Copom estão agendadas para março e abril.

INFLAÇÃO

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) elogiou a manutenção do juro, destacando sua importância para garantir a continuidade dos investimentos. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou que a manutenção da Selic em 8,75 por cento --ou em nível menor-- é essencial para o desenvolvimento do país.

Economistas ouvidos pela Reuters afirmaram que, apesar das altas pontuais e sazonais dos preços em janeiro, o cenário inflacionário deve seguir benigno até meados do segundo semestre.

A expectaviva é de que, para conter as pressões do crescimento da demanda sobre a inflação, o BC comece a elevar a Selic entre março e setembro.

O último relatório Focus do Banco Central mostrou que a expectativa do mercado é de que o IPCA feche o ano em 4,6 por cento, acima do centro da meta, de 4,5 por cento.

Para a Selic, a estimativa contida no Focus é de 11,25 por cento ao ano no final de 2010.

(Com reportagem adicional de Paula Laier e Aluísio Alves)

Tudo o que sabemos sobre:
BACENCOPOMATUA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.