BC sobe juro a 12,25% e mantém plano de ajuste longo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central subiu a taxa básica de juros em mais 0,25 ponto nesta quarta-feira, para 12,25 por cento ao ano, dentro do esforço para levar a inflação de volta ao centro da meta até o ano que vem, preservando o crescimento econômico.

ISABEL VERSIANI E RAYMOND COLITT, REUTERS

08 Junho 2011 | 20h44

A quarta elevação consecutiva da Selic veio em linha com o esperado pelas instituições financeiras e se dá em meio a sinais de desaquecimento da atividade e de uma desaceleração sazonal da inflação.

Em decisão unânime, o Copom afirmou que "considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que envolve o ambiente internacional", (...) "a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado continua sendo a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012".

Pesquisa feita pela Reuters junto a 21 instituições de mercado mostrou que todas esperavam um aumento de 0,25 ponto da Selic nesta quarta-feira. Agora, o BC já elevou a taxa básica em 1,5 ponto este ano, com dois aumentos iniciais de 0,5 ponto e outros dois de 0,25 ponto.

Na terça-feira, dados mostraram uma esperada desaceleração da inflação ao consumidor em maio, sob a influência de recuos sazonais de preços. No acumulado em 12 meses, no entanto, a variação permanece acima do teto da meta do governo, que tem centro de 4,5 por cento e dois pontos de tolerância.

O BC já anunciou que o objetivo é atingir a meta central apenas em 2012.

As expectativas de inflação dos analistas de mercado para este ano estão em queda há cinco semanas, segundo sondagem do BC (Focus), mas os economistas ainda tem dúvidas sobre a trajetória dos preços--a expectativa para o IPCA em 2012 tem subido e está acima de 5 por cento.

ECONOMIA MENOS AQUECIDA

Em abril, a produção industrial sofreu a maior queda mensal em mais de dois anos e o uso da capacidade instalada nas fábricas recuou pelo segundo mês seguido. Pesquisas também mostram quedas na confiança de consumidores e empresários, sinalizando menor consumo e contratações à frente.

Com o aperto desta quarta-feira, a Selic manteve-se no maior patamar desde janeiro de 2009.

O Copom voltará a se reunir em 19 e 20 de julho.

Mais conteúdo sobre:
COPOM SELIC SOBE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.