BC vê mais inflação e diz que política monetária deve se manter 'vigilante'

Ao mesmo tempo em que elevou suas projeções para a inflação neste e no próximo ano, o Banco Central defendeu que a política monetária deve permanecer vigilante, retirando a palavra "especialmente" que vinha sendo usada até então, e entende que uma fatia importante dos efeitos do atual ciclo de aperto monetário na inflação "ainda está por se materializar".

Reuters

10 Abril 2014 | 09h39

Segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) o BC argumentou que as decisões futuras serão definidas "com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas", trouxe o documento divulgado nesta quinta-feira.

O BC ressaltou que a inflação ainda mostra resistência e "ligeiramente" acima do esperado e que, neste quadro, insere-se a expectativa de inflação dos agentes econômicos.

"Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido. Dessa forma, o Copom entende ser apropriado ajustar as condições monetárias", segundo a ata.

No documento anterior, o BC defendia que era "apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso".

Na semana passada, ao completar um ano do início do aperto monetário para combater a inflação, o BC elevou pela nona vez seguida a taxa básica de juros, a 11 por cento ao ano, e havia indicado que o ciclo poderia estar perto do fim ao mudar seu comunicado.

A autoridade monetária informou naquele momento, e repetiu na ata agora, que vai "monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária".

"É plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de política monetária tendem a ser potencializados", acrescentou o BC na ata divulgada nesta manhã.

INFLAÇÃO MAIOR

O Copom também piorou sua perspectiva para a inflação neste e no próximo ano, ainda permanecendo acima da meta, pelo cenário de referência.

Sobre os preços administrados, a projeção é de alta de 5 por cento tanto em 2014 quanto em 2015, como já havia calculado em seu último Relatório Trimestral de Inflação, no final do mês passado.

Ainda de acordo com a ata, a perspectiva é de reajuste de 9,5 por cento na tarifa de eletricidade, mas o Copom retirou desta vez as indicações sobre os preços da gasolina neste ano.

"Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível", trouxe o documento.

O BC citou os preços de alimentos, mas de forma temporária, e o câmbio como fontes de pressão inflacionária. Segundo a ata, a "depreciação cambial, em que pese acomodação recentemente observada, constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos".

Em março, o IPCA subiu 0,92 por cento, maior alta para esses meses em 11 anos, e acima do esperado. O BC vê o IPCA neste ano a 6,1 por cento, chegando mais próximo do teto da meta oficial, de 4,5 por cento, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou menos.

(Por Patrícia Duarte)

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