BCE mantém juros conforme Ucrânia pesa sobre Europa

O Banco Central Europeu (BCE) manteve suas taxas de juros nesta quinta-feira conforme coloca suas esperanças nas medidas de empréstimo para fortalecer uma combalida economia da zona do euro, que agora enfrenta mais danos devido ao conflito na Ucrânia.

EVA TAYLOR E JOHN ODONNELL, REUTERS

07 Agosto 2014 | 09h30

Após cortar as taxas de juros para mínimas recordes em junho, o banco central da zona do euro decidiu não alterá-las, aguardando para ver se esquemas como os empréstimos ultrabaratos de quatro anos para bancos que vai lançar em setembro irão incentivá-los a emprestar mais.

A decisão do Conselho do BCE, com representantes dos 18 países que usam o euro, era esperada por economistas.

Muitos agora estão mudando o foco de suas atenções para o ano que vem, quando esperam que o BCE seguirá os Estados Unidos e outros importantes bancos centrais no lançamento de um programa de impressão de dinheiro conhecido como "quantitative easing" para comprar ativos como títulos do governo.

"A zona do euro está em uma encruzilhada e a economia pode ir para qualquer lado", disse o economista do ING James Knightley.

"Estamos começando a ver alguns sinais de estagnação e a situação geopolítica está ampliando os riscos. Um euro mais fraco e melhores condições de crédito vão conseguir compensar isso? Se não conseguirem, isso irá forçar a mão do BCE".

As tensões elevadas entre a Rússia e países ocidentais sobre o conflito na Ucrânia já impactaram a confiança empresarial na zona do euro.

Mesmo assim, muitos economistas não esperam uma reação de Frankfurt a menos que haja uma virada dramática para o pior.

"A situação geopolítica está elevando os riscos à economia, mas não esperamos que eles mudem o curso até o ano que vem", disse o economista do Société Générale Anatoli Annenkov.

Na reunião desta quinta-feira, o BCE manteve sua principal taxa de refinanciamento na mínima recorde de 0,15 por cento, como esperado.

O BCE também manteve a taxa de depósito de um dia para o outro em -0,10 por cento, o que significa que bancos pagam para manter recursos no banco central, e manteve sua taxa de empréstimo em 0,40 por cento.

Os mercados agora voltam suas atenções à coletiva de imprensa com o presidente do BCE, Mario Draghi, às 9h30 (horário de Brasília), e a expectativa é de que fale sobre os riscos apresentados pela Ucrânia

(Reportagem adicional de Paul Carrel)

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