Bebê morre e família acusa roubo de órgãos

Suspeita de erro médico após morte no Instituto Dante Pazzanese levou pais a pedir autópsia; legista do IML teria dito que órgãos foram removidos

CHICO SIQUEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S.Paulo

02 Maio 2012 | 03h04

A vendedora Josiane Angélica dos Santos, de Rancharia, interior de São Paulo, denunciou à polícia que seu filho, Enzo Gabriel Balbino, de 1 ano e 2 meses, pode ter tido todos os órgãos do corpo retirados sem autorização no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, na capital paulista. A criança era portadora de uma doença cardíaca congênita e seu estado era grave. Pela complicação do seu quadro, a criança fora transferida para o hospital em 16 de abril e morreu no último sábado, depois de passar por cirurgia.

O Instituto Dante Pazzanese é referência no Estado em tratamentos cardíacos. O hospital nega qualquer irregularidade no tratamento e na realização do exame de necropsia e diz que trabalhou "dentro de procedimentos éticos" (mais informações nesta página).

A família da criança desconfia que um erro médico teria causado a morte. Por causa disso, registrou Boletim de Ocorrência de morte suspeita no 36.° Distrito Policial (DP) de Vila Mariana, zona sul da capital paulista, exigindo necropsia do Instituto Médico Legal (IML). A criança apresentava, segundo o hospital, um quadro grave de cardiopatia, associada com outras deformidades congênitas.

O corpo foi encaminhado para o IML Sul. Quando a família foi buscar o resultado, teria sido informada pelo legista de que não era possível determinar as causas da morte porque todos os órgãos da criança haviam sido retirados. "O legista disse que a criança não tinha nenhum órgão e que por dentro do corpo dele só havia serragem", contou a inspetora de polícia Juliane Andréia dos Santos, que é irmã de Josiane e tia de Enzo.

Nova denúncia. A família informou que não tinha autorizado ao hospital doação de órgãos e decidiu abrir outro boletim, desta vez no 27.º DP, do Campo Belo, também na zona sul. A ocorrência foi registrada para apurar crime de remoção de tecidos, órgãos ou partes do corpo de pessoa ou cadáver em desacordo com a legislação.

Antes de seguir para o IML, o corpo da criança havia passado por outra necropsia no hospital. O motivo também era investigar melhor a causa da morte - mas não previa a retirada dos órgãos. "Ficamos sem saber se os órgãos foram retirados no hospital ou no IML", disse.

De acordo com Juliane, o IML chegou a informar, posteriormente, que os órgãos tinham sido retirados e recolocados e que o procedimento é normal. Em relatório do IML, a causa da morte consta como "indeterminada". / COLABOROU PAULO SALDAÑA

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