Bebendo em obras de arte

ENTREVISTA

O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2010 | 01h48

Marcel Wanders, Designer holandês

Copos e taças já saíram da prancheta de muitos designers famosos. Philippe Starck criou linhas de copos para a Alessi e a Driade; Karim Hashid e Arik Levy assinam coleções da Gaia & Gino, empresa turca que se tornou conhecida nos últimos anos pelo desenho irreverente das peças clássicas. E não faltam exemplos.

O fato é que, fora do eixo França-Alemanha-Áustria, onde estão as cristalerias mais tradicionais, que costumam manter a linha, a criatividade dos designers tem transformado taças, copos e até xícaras em obras de arte contemporânea.

Exemplos? O Botanical, do inglês Benjamin Hubert. Trata-se de um copo de dry martini com a forma de Y - a surpresa está na haste, que tem prolongamentos como se fossem raízes. A bebida preenche o interior da haste. Prêmio de design de 2008.

Maarten Baptist, da dinamarquesa Joine, criou uma linha de copos para vinho, conhaque e bitters cuja base tem formato de pé de galinha. Outra invenção de sucesso foram os copos sem pé, usados para conhaque. Eles tem a base curva e bambeiam na mesa, ideia de Rikke Hagen, da Normann Kopenhagen sob medida para coquetéis, ocasiões em que copo não vai à mesa. A mão esquenta a bebida, o que no caso de conhaque é vantagem.

As cristalerias escandinavas também se destacam no design de copos. Kosta Boda e Orrefors, no sul da Suécia, marcaram os últimos anos com taças de notável valor artístico - cores, cristais soprados com detalhes em ouro, prata, vidro trabalhado. Todo ano as duas empresas convocam jovens designers para renovar suas coleções.

No início de 2010, a francesa Baccarat convidou Marcel Wanders para desenhar sua nova coleção de taças. O designer holandês premiado em Milão, Londres e Paris, conhecido como o grande nome da "hiperdecoração", conversou com Paladar por telefone de Amsterdã, onde vive parte do ano.

Qual a ideia da nova coleção Baccarat?

Decidi fazer uma linha com apenas três copos básicos que podem ser usados com vinho, uísque, conhaque ou vodca. Esse é um novo conceito de tableware em que acredito.

Como chegou a eles?

Testei o desempenho das taças em outras bebidas para encontrar um consenso. Os estudos de Riedel foram importantes, mas no consumo diário é inviável ter tantos copos. É bom criar expectativa, surpresa, algo valioso no cerimonial de beber.

Como é criar algo diferente usando a expertise de uma cristaleria famosa? Há limitações?

Não houve nenhuma censura ao meu trabalho ou qualquer tipo de limitação. Mas creio que não se deve olhar o passado sempre com tanta reverência. Devemos ser inovadores. Precisamos experimentar e provocar novas sensações.

Mas seus copos respeitam as medidas padrão - borda, haste, proporção...

Isso não é tradição, é estudo. Fora a ideia de proporção, que é algo intrínseco a nosso trabalho de design, todo o resto precisa ser radicalmente inovador. Senão, para que fazê-lo?

Qual sua bebida favorita? É servida em que copo?

Conhaque com uma grande pedra de gelo. Prefiro usar a taça clássica.

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