Beltrame aponta dificuldade de ação policial em protesto

Em reação às críticas sobre a atuação da Polícia Militar na manifestação da noite dessa quarta-feira, 17, que terminou em vandalismo na zona sul do Rio, o secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, disse na manhã desta quinta-feira, 18, que as autoridades estão "lidando com turba, que coloca a polícia entre a prevaricação e o abuso".

MARCELO GOMES, Agência Estado

18 de julho de 2013 | 12h13

"A solução não está nos extremos. É intermediária. Fazer uma prisão num cenário caótico (como o de ontem) pode significar muita coisa", disse Beltrame, referindo-se aos casos de mortes registradas em protestos em outros Estados do País. "Aqui no Rio nós estamos conseguindo preservar vidas".

Beltrame afirmou ainda que não há um protocolo de como a polícia deve agir em "turba ou confusão". "Não há protocolo no mundo para atuar em turba ou confusão. Há protocolo para manifestações organizadas, com líderes, horário de início e término, e trajeto definidos", disse.

Indagado sobre como a polícia vai agir nos próximos protestos, o secretário disse que o planejamento muda a cada manifestação. "Temos de analisar criteriosamente antes. E refazer o planejamento para a próxima manifestação para ver o que podemos melhorar. Nossas ações têm que ser flexíveis".

Polícia Civil

A chefe da Polícia Civil do Rio, delegada Martha Rocha, que junto com Beltrame participou nesta manhã de uma reunião emergencial convocada pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) afirmou que não tem o dom de "fazer milagre", ao ser perguntada por jornalistas sobre a lentidão das investigações para identificar manifestantes que se infiltram em protestos para depredações e agressões.

"A polícia trabalha com o que determina a lei. Quando manifestantes detidos são levados à delegacia com acusação de formação de quadrilha, ou desacato, por exemplo, o delegado não tem outra coisa a fazer a não ser estipular uma fiança para que ele responda em liberdade", afirmou.

Martha Rocha explicou que os crimes de lesão corporal e dano ao patrimônio dependem de representação da pessoa lesada. Ela lembrou que no protesto de 20 de junho, em frente à prefeitura, 54 pessoas feridas foram atendidas no Hospital Municipal Souza Aguiar. Policiais da 4.ª DP (Central) estiveram no hospital para registrar queixas. "Apenas um ferido concordou em fazer representação para que pudéssemos iniciar uma investigação sobre o agressor. Hoje temos três medidas cautelares em andamento, que ainda dependem da apreciação do Ministério Público e do Judiciário. Eu queria fazer milagre, mas não tenho esse dom. Só posso investigar dentro do limite imposto pela lei", afirmou.

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