Bento XVI vai inaugurar centro contra drogas

Local de atendimento a usuários ficará na zona norte do Rio e reunirá ONGs e entidades ligadas à Igreja Católica

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2012 | 02h07

Durante sua passagem pelo Rio, em julho de 2013, para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o papa Bento XVI inaugurará um centro de prevenção e combate à dependência de drogas. O espaço será um legado da organização do evento, que reunirá mais de 2 milhões de jovens católicos entre os dias 23 e 28 de julho. Bento XVI chega ao País no dia 25 de julho e será recebido pela presidente Dilma Rousseff com honras de chefe de Estado, uma vez que é a autoridade máxima do Vaticano.

Os detalhes da programação do papa e do novo centro ainda são discutidos. O planejamento será apresentado em reuniões nos dias 13 e 25 de janeiro, em Roma. Assessores do papa avaliam o plano de segurança. Após aprovação, o comitê organizador da JMJ dará início à montagem da estrutura do evento, que terá 27 palcos em toda a cidade.

O centro de atendimento a usuários de drogas será no bairro da Usina, na zona norte, e articulará iniciativas de diversas ONGs e entidades ligadas à Igreja que lidam com o atendimento a essas pessoas. E o local funcionará como espaço de formação para profissionais da área.

Segundo o monsenhor Joel Portella Amado, coordenador-geral do Comitê Organizador Local (COL) da JMJ, a expectativa é que o centro tenha convênios com universidades para formar especialistas na área de assistência a dependentes químicos.

A ideia inicial era construir outros centros na cidade e em todo o País em parceria com o governo federal. Mas o projeto não foi adiante pelo alto valor de investimento. Segundo o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o legado "justifica" os gastos federais nas áreas de logística e segurança do evento. "A Igreja tem papel fundamental na atenção aos usuários de drogas, pela sua capilaridade e pelo modo como chega ao usuário e o acolhe", afirmou Carvalho.

O tema será debatido na recepção da presidente Dilma a Bento XVI. A cerimônia será no Palácio Guanabara e terá protocolo de recebimento de chefe de Estado. A presidente Dilma também encontrará o papa no encerramento da JMJ, no dia 28 de julho.

Multidão. Uma missa campal está sendo organizada em Guaratiba, na zona oeste. São esperados cerca de 2,5 milhões de pessoas, entre os participantes da JMJ e cariocas. Duas fazendas particulares, com mais de 3,5 milhões de metros quadrados, foram cedidas à organização do evento. No local também ocorrerá uma vigília de 24horas para os fiéis.

Os terrenos ficam a mais de 50 km de Copacabana, onde ocorrerão outros dois eventos com o papa. A mobilidade e o acesso ao local são preocupações - os fiéis terão de caminhar cerca de 13 km para chegar ao local. O comitê organizador também estuda tornar disponíveis vans e ônibus para fazer o traslado entre a fazenda e os bloqueios de ônibus e pontos de transporte público. De acordo com os organizadores, a caminhada faz parte da programação da vigília.

As fazendas receberão uma estrutura de palco, sanitários, postos de atendimento médico e telões, além de obras de infraestrutura. As despesas serão bancadas pela iniciativa privada, mas o governo está intermediando as negociações para garantir os recursos. A prefeitura também se comprometeu a fazer a drenagem das fazendas.

De acordo com monsenhor Portella, o planejamento da JMJ está dentro do cronograma, mas alterações após análises do Vaticano poderão comprometer os trabalhos. "Nossos técnicos dizem que, se não começarmos em janeiro, poderemos ter atrasos. Por enquanto, nosso cronograma está no azul."

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