Berlusconi diz ser vítima de ação 'grotesca' de juízes

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, criticou neste sábado uma investigação sobre alegações de que ele teria pago para fazer sexo com uma dançarina de cabaré adolescente. Ele qualificou o inquérito como uma tentativa "grotesca" de destrui-lo politicamente e destacou que isso não iria funcionar.

DEE, REUTERS

15 de janeiro de 2011 | 16h52

A investigação acontece em um momento delicado para Berlusconi, que já está fragilizado politicamente, depois da passar raspando por um voto de confiança parlamentar no mês passado e perder a imunidade automática de processos, depois de uma decisão judicial esta semana.

Juízes de Milão revelaram, na sexta-feira, que estão investigando se Berlusconi pagou pelo sexo com Karima El Mahroug e pressionou a polícia para libertá-la quando ela foi detida por furto. El Mahroug, que tinha 17 anos na ocasião, é popularmente conhecida como "Ruby Rubacuori" (Ruby, a Ladra de Corações).

Em um comunicado, Berlusconi manifestou indignação com o inquérito, descrevendo-o várias vezes como ilegal, improvável, excessivo, inaceitável e grotesco.

O magnata da mídia, de 74 anos, há muito tempo afirma que os juízes de esquerda estão travando uma batalha pessoal para derrubá-lo da cena política, que ele domina há quase duas décadas.

"Nunca, em 17 anos de intensa perseguição judicial contra a minha pessoa, o Ministério Público de Milão conseguiu distorcer a realidade factual e as garantias constitucionais de um estado de direito de uma forma tão implausível e grotesca," disse ele.

"Enfrentamos o enésimo teorema criado especificamente para jogar lama na minha pessoa e na minha posição institucional, na tentativa ilusória de me eliminar da cena política. Mas desta vez eles superaram todos os limites."

O caso de "Ruby," que é marroquina, provocou furor na mídia no ano passado e imediatamente transformou a expressão "Bunga Bunga" -um termo usado pela dançarina para descrever as orgias na residência do primeiro-ministro- em uma palavra comum no vocabulário italiano.

Ela diz que recebeu 7.000 euros (15.750 reais) depois de participar de uma festa na casa de Berlusconi, mas negou ter tido relações sexuais com ele.

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