Berlusconi enfrenta novo teste com referendos na Itália

Neste domingo os italianos começaram a votar em quatro referendos que podem significar um novo golpe contra o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que ainda está sofrendo com a forte derrota nas eleições locais do mês passado.

PHILI, REUTERS

12 Junho 2011 | 11h39

A oposição de centro-esquerda vem liderando uma forte campanha para convencer os eleitores a saírem para votar nas questões que dizem respeito à privatização dos serviços públicos de água, energia nuclear e se ministros do governo podem ser dispensados de comparecer a julgamentos contra eles.

O problema principal será ver se a quantidade de eleitores atingirá o quórum mínimo de 50 por cento mais um. Mas se eles revogarem as leis existentes, votando "sim", o resultado provavelmente terá repercussões na fragmentada coligação de centro-direita que apoia Berlusconi.

"Por trás dos números, está o destino político daqueles que já definiram sua posição", disse no domingo o principal jornal de negócios da Itália, o Il Sole 24 Ore.

"Está claro que uma onda de votos a favor do 'sim' será um choque, talvez o último, para seu mandato (de Berlusconi) e até mesmo da liderança do seu partido", disse o jornal.

Às 7h (horário de Brasília) deste domingo, cerca de 12 por cento dos eleitores haviam votado, o que animou a oposição a concluir que o quórum será atingido até segunda-feira a tarde, quando os dois dias de votação chegarão ao fim.

O comparecimento seria um revés para Berlusconi, porque ele tem dito que não votaria e alguns dos seus ministros pediram aos eleitores que boicotem a votação.

Para alguns, os votos serão uma maneira de mostrar decepção com o próprio Berlusconi, que está enfrentando um escândalo sexual e três acusações de fraude.

Se o quórum for alcançado, isso significaria que, "mais da metade dos Italianos estão contra ele", disse o Il Sole.

O referendo sobre a energia nuclear é o mais sensível dos quatro, já que vem na esteira do desastre do reator de Fukushima, no Japão, em março. Pesquisas dizem que a maioria dos italianos é contra a energia nuclear, que eles consideram ser insegura em um país propenso a terremotos.

Berlusconi é um grande defensor da energia nuclear, que os políticos de centro-direita dizem ser indispensável para o futuro de um país que importa quase toda a sua energia.

No ano passado, o governo aprovou uma lei para reiniciar um programa de energia nuclear, que foi interrompido em 1987, por outro referendo. Consciente de uma provável reação adversa por causa de Fukushima, o governo suspendeu os planos, mas um referendo poderia impedir a energia atômica por décadas.

Outro referendo revogaria o chamado "impedimento legítimo" que permite que ministros não compareçam às audiências contra eles, se eles estiverem cuidando de assuntos do governo, e que os críticos de Berlusconi dizem que é para seu próprio benefício.

Dois outros referendos são sobre a privatização dos serviços públicos de água. O governo diz que a privatização é essencial para financiar uma melhor prestação de serviços. A oposição diz que isso apenas levará a um aumento dos preços.

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