Berlusconi enfrenta votação decisiva no Parlamento italiano

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, enfrenta na quarta-feira um voto de confiança no Parlamento, abrindo o caminho para um confronto decisivo após meses de animosidade com o seu ex-aliado Gianfranco Fini.

JAMES MACKENZIE, REUTERS

28 de setembro de 2010 | 15h54

O primeiro-ministro deverá discursar na Câmara dos Deputados às 6h (horário de Brasília), delineando as prioridades para a segunda metade de seu mandato, previsto para seguir até 2013.

Ele já disse anteriormente que implementaria um programa de cinco pontos que inclui reforma da Justiça, medidas para conceder às regiões uma maior autonomia fiscal e passos para ajudar o sul, a região mais pobre do país.

O discurso será seguido por um debate e uma votação que indicará se o governo ainda pode comandar a maioria após o racha com Fini e um grupo de mais de 40 deputados e senadores em julho.

A votação ocorrerá na noite de quarta-feira, tarde no Brasil.

Se perder, Berlusconi será forçado a renunciar, embora o lado de Fini -- que corre o risco de perder terreno caso novas eleições sejam convocadas -- tenha declarado várias vezes que não votará para derrubar o governo.

O grupo de Fini disse que não votará para qualquer programa que inclua outros assuntos, como uma lei com a qual Berlusconi quer restringir o uso pela polícia de provas de grampo.

"Estamos prontos para ouvir o premiê", disse Fabio Granata, um dos aliados mais próximos de Fini.

"Se a moção de confiança for sobre o programa de cinco pontos, votaremos a favor. Se for sobre coisas que não estão no programa, não o faremos", disse ele.

O futuro do governo está em xeque desde que Berlusconi expulsou Fini do partido Povo da Liberdade, concebido por eles em 2008 como uma força nova para unir a centro-direita do país.

Não há nenhuma grande diferença política entre os dois, mas mesmo pelos padrões da política italiana, o desacordo entre Berlusconi e Fini tem sido alimentado por acusações de traição, corrupção, mentiras e ofensas de ambos os lados.

Fini acusa o empresário bilionário Berlusconi de administrar o governo como uma de suas companhias privadas e tem sido um crítico mordaz da série de escândalos envolvendo associados do primeiro-ministro.

Berlusconi, por sua vez, acusa Fini, que é presidente da Câmara dos Deputados, de traição e afirma que ele é motivado apenas por seu egocentrismo e sua ambição pessoal.

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