Berlusconi não se desculpa por chamar Obama de 'bronzeado'

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, disse nesta sexta-feira que não tem razão para se desculpar por ter chamado o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, de "bronzeado", apesar das muitas críticas recebidas pelo comentário. Em entrevista coletiva, Berlusconi foi rude com um jornalista norte-americano que sugeriu que ele deveria se desculpar pela declaração de quinta-feira, em Moscou, quando se referiu a Obama -- primeiro negro eleito presidente dos EUA -- como "bonito, jovem e também bronzeado." Seus adversários de centro-esquerda interpretaram o comentário como racista, e em resposta foram chamados por Berlusconi de "imbecis sem qualquer senso de humor". Na entrevista de sexta-feira, após cúpula da União Européia, o jornalista perguntou: "Primeiro-ministro, o senhor percebe que seu comentário sobre Obama é ofensivo aos Estados Unidos? Por que não se desculpa?". "Dá um tempo!", reagiu Berlusconi. "Você acaba de se colocar naquela lista (de imbecis) que eu citei ontem!". O repórter insistiu, querendo saber por que Berlusconi achava o pedido de desculpas dispensável. "Por que (pedir desculpas)? Você é que deveria pedir desculpas à Itália", disse ele, deixando a sala visivelmente irritado. A gafe do premiê estampou os principais jornais italianos na sexta-feira. Em editorial, o jornal La Repubblica, de Roma, disse que "Berlusconi nunca deixa de atender às nossas piores expectativas". Berlusconi, que se orgulha de sua amizade com o atual presidente dos EUA, George W. Bush, é famoso por suas declarações constrangedoras. Em 2002, em seu primeiro encontro com o colega dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, o italiano o cumprimentou com as seguintes palavras: "Rasmussen é não só um grande colega, como é também o primeiro-ministro mais bonito da Europa. É tão bonito que estou até pensando em apresentá-lo à minha esposa." Em 2005, sugeriu ter usado seu charme para convencer a presidente da Finlândia, Tarja Halonen, a apoiar a Itália como sede da Autoridade Européia de Segurança Alimentar. "Tive de usar todas as minhas táticas de playboy, mesmo que não tivessem sido usadas durante algum tempo", declarou. O governo finlandês convocou o embaixador da Itália em Helsinque para prestar explicações.

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