Berlusconi pode ir a julgamento mesmo doente, diz tribunal

Médicos forenses sob responsabilidade judicial determinaram neste sábado que Silvio Berlusconi está apto a comparecer a um julgamento de fraude fiscal, rejeitando a alegação do ex-primeiro-ministro de que um problema no olho o impede de deixar o hospital e desencadeando protestos furiosos de seus aliados.

Reuters

09 de março de 2013 | 17h59

O líder de centro direita de 76 anos e magnata da mídia enfrenta uma série de julgamentos neste mês e luta por seu futuro político na esteira da inconclusiva eleição parlamentar de fevereiro.

Na sexta-feira, uma audiência em um julgamento no qual é acusado de fazer sexo com uma prostituta menor de idade foi adiado após sua internação com um problema ocular. O promotor se queixou de que a hospitalização foi meramente uma tática de distração para atrasar o processo.

Neste sábado, o tribunal de Milão que lida com o caso de fraude fiscal enviou inspetores para examinar Berlusconi na clínica onde está sendo tratado por seu médico particular, e declarou que seu problema não é "um impedimento legítimo" para que ele compareça perante a corte.

"Foi rejeitado. Vamos adiante", disse Piero Longo, um dos advogados do ex-premiê, à Reuters.

O médico de Berlusconi havia dito que a inflamação no olho de seu paciente lhe causa dor e atrapalha a visão. Mas, com a decisão, a audiência pode ocorrer neste sábado com ou sem a presença do réu.

Berlusconi está apelando de uma pena de quatro anos de prisão por fraude fiscal ligada à compra de direitos de transmissão de sua rede de TV Mediaset.

Os aliados políticos do magnata saíram em sua defesa com um coro de ataques contra os juízes.

"Um tribunal stalinista enviou médicos nazistas para examinar Berlusconi e emitir uma decisão repugnante", declarou Fabrizio Cicchitto, figura proeminente do Partido do Povo da Liberdade (PDL), de Berlusconi.

Niccolo Ghedini, outro advogado de Berlusconi, disse ser "extremamente grave" que os médicos tenham aceitado que seu cliente necessite de tratamento médico, mas ainda não tenham adiado a audiência.

Pela lei italiana, Berlusconi não passará nenhum tempo na cadeia até que os recursos judiciais sejam exauridos.

No caso de fraude fiscal, mesmo que a corte de apelação mantenha a sentença inicial de quatro anos de prisão, a decisão ainda pode ser revertida em uma instância superior. Duas apelações são procedimento padrão no judiciário italiano.

Berlusconi foi declarado culpado três vezes nos anos 1990, mas foi inocentado em instâncias superiores ou se beneficiou do estatuto de limitações no qual casos expiram se um veredicto final não for decretado dentro de um determinado período de tempo.

(Por Stephen Jewkes e Gavin Jones)

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