Berlusconi: posso ser pecador, mas querem aplicar golpe político

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, reconheceu nesta sexta-feira que "às vezes é um pecador", mas acusou os magistrados que querem levá-lo a julgamento por um escândalo sexual de usarem técnicas de espionagem no estilo soviético para derrubá-lo em um golpe político.

REUTERS

11 de fevereiro de 2011 | 11h37

O premiê aproveitou uma entrevista ao Il Foglio, influente jornal opinativo, para ampliar sua guerra de nervos com juízes de Milão antes de uma decisão judicial, na semana que vem, sobre se ele deve ou não ir a julgamento pela acusação de pagar por serviços sexuais com uma menor e, posteriormente, abusar de seu poder para ajudá-la.

"Eu, talvez, como todo mundo, sou um pecador, mas o tipo de justiça moralista lançada contra mim é... simplesmente escandalosa", disse ele em entrevista ao editor de Il Foglio, Giuliano Ferrara, ex-ministro de seu governo.

Promotores acusam o primeiro-ministro de pagar para fazer sexo com uma dançarina de boates quando ela era menor de idade, o que contraria a legislação na Itália. Eles também o acusam de abusar dos poderes de seu cargo por ter pressionado a polícia para que a libertassem, em um caso em que a jovem estava detida, acusada de furto.

O pedido dos magistrados de um julgamento imediato, indicando acreditar ter evidências suficientes para dispensar uma audiência preliminar, impôs considerável pressão sobre Berlusconi, que se mantém com dificuldades no poder, depois de uma divisão no partido governista no ano passado.

Berlusconi diz que os magistrados têm motivações políticas. Na entrevista, ele afirmou que a investigação é "farsesca e digna das ações de perseguição dos espiões na vida dos outros realizadas na antiga Alemanha oriental (comunista)".

O primeiro-ministro afirmou ser alvo daqueles que querem um "golpe político de moralistas"

(Por Philip Pullella)

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