Bernanke admite erros na crise

Em audiência para um 2.º mandato, presidente do Fed pede para que independência do banco seja mantida

Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

04 Dezembro 2009 | 00h00

Em meio a duras críticas de senadores republicanos na comissão bancária do Senado americano, o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, admitiu que a instituição errou ao não antecipar a crise e acrescentou que poderia ter feito mais para solucioná-la. Esses equívocos, segundo Bernanke, contribuíram ainda mais para os problemas econômicos e financeiros dos Estados Unidos.

"Não antecipei uma crise dessa magnitude. Na área em que tenho responsabilidade, deveria ter feito mais. Esse erro não ocorrerá de novo", disse Bernanke, em audiência no Senado para analisar sua nomeação para o segundo mandato - o atual termina em janeiro e ele já foi indicado pelo presidente Barack Obama para continuar.

Segundo o presidente do Fed, sua missão no órgão ainda está incompleta. "Muitos americanos estão sem trabalho e o desemprego pode continuar elevado por algum tempo.Temos de restaurar a prosperidade e estimular a criação de emprego, mantendo a estabilidade nos preços. Caso seja confirmado (para o segundo mandato), esses serão meus objetivos."

Bernanke fez ainda um alerta pedindo que o poder e a independência do Fed sejam mantidos porque são necessários para promover crescimento e estabilidade dos preços

Alguns senadores republicanos ameaçam barrar a aprovação do nome, o que implicaria a ampliação da maioria simples para 60 votos necessários para manter Bernanke no Fed. "Farei de tudo para impedir a sua nomeação e estender esse processo o máximo possível que eu conseguir. A sua ajuda para a (seguradora) AIG já seria razão suficiente para mandá-lo de volta para Princeton (universidade onde Bernanke lecionava)", disse o senador Jim Bunning, que votou contra a nomeação mesmo quando Bernanke foi indicado pelo ex-presidente George W. Bush para suceder Alan Greenspan no comando do Fed.

Outro senador republicano, Bernard Sanders, já havia ameaçado na terça-feira que tentaria obstruir o voto para a nomeação de Bernanke.

O senador Richard Shelby também demonstrou ceticismo com o desempenho do presidente do Fed. "A questão é se o presidente Bernanke seria a pessoa mais adequada para nos liderar diante desses problemas", afirmou o senador, durante a audiência de ontem.

Mesmo com a oposição desses republicanos, analistas dizem ser provável que o atual presidente consiga apoio suficiente dos senadores. O risco estaria na contrapartida. Projetos de lei apresentados no Senado prevêem uma maior regulamentação e fiscalização das ações do Fed, reduzindo sua independência.

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