Bernardo: corte orçamentário seguirá meta fiscal de 3,8% d PIB

O governo deve anunciar estasemana um corte no Orçamento entre 14 bilhões e 20 bilhões dereais, com ênfase em uma redução das despesas previstas ememendas parlamentares, afirmou o ministro do Planejamento,Paulo Bernardo, nesta quarta-feira. Ao programar suas receitas e despesas, o governo vai mirara meta de superávit primário equivalente a 3,8 por cento doProduto Interno Bruto (PIB), frisou o ministro. Uma eventualmudança, caso definida, seria anunciada "com transparência". Bernardo explicou que o presidente Luiz Inácio Lula daSilva avaliará três possibilidades de ajuste no Orçamentobaseadas em perspectivas "mais ou menos otimistas" para aeconomia. Ele classificou os três cenários de "prudente, maisprudente e bem prudente". "Tem que saber o que vai acontecer com a nossa economianeste ano. Até aqui tudo caminha de uma forma muito boa, anossa receita está se comportando bem, mas esse cenáriointernacional pode afetar de alguma maneira a nossa economia eprovocar uma redução da nossa receita", afirmou em entrevistano Reuters Latin America Investment Summit. Bernardo acrescentou que também será considerado o volumede desonerações decorrentes da política industrial a seranunciada pelo governo nos próximos dias e o montante derecursos adicionais direcionados à área da saúde em 2008. Os cortes não afetarão os principais gastos sociais nemobras do Programa de Aceleração co Crescimento (PAC). "Evidenteque num primeiro momento vamos colocar mais peso nas emendas(parlamentares)... mas temos que deixar um espaço senão oCongresso vai se sentir desprestigiado", afirmou. GRAU DE INVESTIMENTO "IRRELEVANTE" O ministro afirmou que o Brasil ainda não foi afetado pelacrise externa e que a concessão de grau de investimento é"irrelevante neste momento". "Acho que não faz diferença nenhuma. O que é grau deinvestimento hoje? Com todo o respeito, essas agências declassificação de risco precisam se classificar também. Paranós, acho que é irrelevante neste momento." Ele argumentou que as agências perderam credibilidade apósativos classificados por elas como de baixo risco terem semostrado de má qualidade em meio à crise global de crédito. O ministro também refutou críticas sobre o crescimento dosgastos públicos. Ele ponderou que as despesas com funcionalismotêm caído como proporção do PIB ao longo dos anos e que gastossociais, como o Bolsa-Família, são indispensáveis para reduzira concentração de renda e ajudar o crescimento interno. INFLAÇÃO Sobre as preocupações com pressões inflacionárias, Bernardose disse "otimista" e afirmou que a tendência é de que ainflação volte para a trajetória da meta sem necessidade deelevação do juro. "Eu acho que de fato houve essa aceleração da inflação, maspor outro lado os fatores todos estão arrefecendo e nóspoderemos ter uma inflação convergindo para a meta", afirmou. Para sustentar o crescimento --e não gerar inflação--, ogoverno está interessado em ampliar a oferta de bens e serviçosna economia e não em enfraquecer o crédito, acrescentou. "Se houver algum ajuste pontual, alguma coisa que estejasendo praticada que possa ser considerada excessiva edistorciva e que precise de ajuste nós vamos fazer. Mas, comometa geral, nós queremos que cresça o crédito." (Com reportagem adicional de Alexandre Caverni, RenatoAndrade e Mair Pena Neto)

ISABEL VERSIANI E DANIELA MACHADO, REUTERS

02 de abril de 2008 | 21h16

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