Bersani faz apelo de última hora a partidos rivais na Itália

A centro-esquerda da Itália fez um apelo de última hora a outros partidos nesta quinta-feira para liberar o caminho para um novo governo antes de seu líder, Pier Luigi Bersani, se encontrar com o presidente Giorgio Napolitano no final do dia.

JAMES MACKENZIE, Reuters

28 de março de 2013 | 13h42

Bersani, cuja aliança ficou aquém da maioria necessária para governar depois das eleições do mês passado, fez pouco progresso em cinco dias de conversas com partidos rivais.

O impasse na terceira maior economia da zona do euro tem sido observado com crescente alarme em toda a Europa, enquanto a crise em Chipre elevou a preocupação com uma renovação da turbulência do mercado que poderia ameaçar a estabilidade do bloco.

Nesta quinta-feira, o principal indicador da confiança do mercado, o spread entre os títulos italianos de 10 anos e os seus equivalentes alemães, considerados mais seguros, aumentou para 350 pontos-base, cerca de 30 pontos a mais do que o nível observado antes da eleição de 24 e 25 de fevereiro.

Tanto o bloco de centro-direita do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, segunda maior força no Parlamento, quanto o grupo anti-establishment Movimento 5-Estrela, que mantém o equilíbrio de poder, rejeitaram as tentativas de Bersani para formar um governo viável.

Mas a apenas algumas horas antes de Bersani relatar a Napolitano seus esforços exploratórios, autoridades de seu Partido Democrata se recusam a admitir a derrota.

"Muitas vezes acontece de questões mais delicadas serem resolvidas na fase final", disse Luigi Zanda, líder do grupo do PD no Senado, incitando outros partidos a ajudar a encontrar uma "solução positiva".

Ciente do risco de instabilidade, Napolitano insistiu que Bersani obtenha garantias firmes de apoio de outros partidos antes de lhe entregar um mandato completo para formar um governo.

Com o recuo das perspectivas de um acordo, as opções incluem a nomeação de uma pessoa de fora para chefiar um governo tecnocrata como o do primeiro-ministro de saída, Mario Monti, ou uma ampla coligação multipartidária.

PRESIDENTE

As perspectivas de que Monti pudesse ser convidado a permanecer no cargo desapareceram desde que o ministro de Relações Exteriores, Giulio Terzi, renunciou esta semana, em uma decisão chocante que mostrou as tensões no governo interino.

Mas as dificuldades de Bersani têm mostrado o quão difícil será mesmo para um novo gabinete tecnocrata ganhar apoio no Parlamento, aumentando as chances de outra eleição.

Para que isso aconteça, no entanto, um novo chefe de Estado deve ser eleito pelo Parlamento para suceder Napolitano, cujo mandato termina em meados de maio. As regras constitucionais italianas impedem que um presidente dissolva o Parlamento durante os meses finais de seu mandato.

Até esta tarefa é politicamente preocupante porque Berlusconi quer escolher o novo chefe de Estado, algo que Bersani rejeita.

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