Bienal começa atividades com palestra de Anri Sala

Artista albanês, que participa da mostra, fala hoje com o público no Teatro de Arena

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

10 de março de 2010 | 00h00

A partir de hoje, o Teatro de Arena será o palco das primeiras atividades abertas ao público da 29ª Bienal de São Paulo, cuja mostra está programada para ocorrer entre 21 de setembro e 12 de dezembro no prédio da Fundação Bienal, no Ibirapuera. Com palestra às 20 horas do artista albanês Anri Sala, integrante da mostra, o evento lança o programa de residências artísticas e discussões, desta vez, realizado em parceria com o Projeto Capacete, coordenado por Helmut Batista, criado no Rio em 1998. Os curadores da 29ª Bienal, Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos, também falarão para o público na ocasião sobre o conceito desta edição do evento, centrada no tema da Arte e Política. Até a abertura da exposição, o Teatro de Arena, gerido pela Funarte, vai abrigar duas palestras mensais com artistas convidados e workshops.

Anri Sala, que vai ficar por uma semana em São Paulo e coletar material para futura obra, falará na palestra de hoje sobre seu trabalho como um todo. Segundo Helmut Batista, Sala não é considerado artista residente porque sua estada na cidade é rápida. O artista inglês Jeremy Deller, que também estará em São Paulo apenas até o fim da semana, ministrará no Arena sua palestra amanhã, às 20 h, ao lado do residente Amilcar Packer - vivendo em São Paulo, ele vai para o Rio fazer pesquisa. O programa de residências e workshops (gratuitos, a partir de abril e com inscrições pelo site www.capacete.net ou pelo e-mail residência@capacete.net) tem um perfil mais "discursivo", como diz Batista, e misto, contemplando criadores e profissionais que não necessariamente façam parte da lista de participantes da 29ª Bienal. Entre São Paulo e Rio participam do programa Cristina Ribas, Wouter Osterholt (Holanda), Elke Uitentuis (Holanda), Liz Linden (EUA), Carla Zaccagnini, Sarah Farah (Nova Zelândia), Victor Costales (Equador). Agnaldo Farias ainda cita outras participações como a curadora Ana Paula Cohen e a urbanista Marcia Ferran.

Com a captação de recursos em bom andamento - em caixa a instituição já tem R$ 8.890.010 e, segundo o presidente da fundação, Heitor Martins, outros R$ 23 milhões estão comprometidos com patrocinadores, o que vai fazer o orçamento desta edição chegar aos R$ 30 milhões planejados - o projeto da 29ª Bienal segue seu curso para a realização de um evento em grande escala, sem crise institucional. "O projeto vai bem com a sociedade ajudando, seria muito mais difícil se não houvesse o apoio de todos e de instituições", afirma Martins.

Além das atividades no Arena e do programa educativo, coordenado por Stella Barbieri, que já começaram, a 29ª Bienal, que talvez chegue a 150 artistas participantes, compreenderá programação ampla. Como conta Agnaldo Farias, a Cinemateca vai abrigar ciclo de filmes organizado por Pedro Costa com obras do alemão Harun Farocki. Sem contar, ainda, dentro do prédio, numa "exposição viva" a participação de apresentações da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), de bailarinos (via São Paulo Companhia de Dança) e o projeto de contar com músicos como Tom Zé e Paulinho da Viola. Outro desejo dos organizadores, em parceria com o Sesc São Paulo, é trazer à cidade, durante a Bienal, a ópera O Nariz, que acabou de estrear no Metropolitan de Nova York e é assinada pelo artista sul-africano William Kentridge.

A exposição, como conta Agnaldo, vai contar com seis núcleos ou "terreiros" desenhados por artistas (um deles é Ernesto Neto) e arquitetos para abrigar atividades e obras. O de Neto será o Lembrança e Esquecimento, sobre a memória e os outros serão Dito, Não-Dito, Interdito (linguagem); Longe Daqui e Aqui Mesmo (utopia); Eu Sou a Rua (cidades); A Pele do Invisível (com filmes); e O Mesmo e O Outro (performances).

Serviço

Palestras da 29.ª Bienal de São Paulo. Teatro de Arena (120 lugares) Rua Dr. Teodoro Baima, 94, 3256-9463. Grátis. Hoje e amanhã, 20 h

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