Biólogos estimam em 8,7 milhões o número de espécies na Terra

Segundo autores do estudo, 86% das espécies terrestres e 91% das marinhas ainda estão por ser descobertas

, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

WASHINGTON

Um grupo de cientistas estimou em 8,7 milhões o número de espécies existentes na Terra. Embora a cifra não passe de uma estimativa, ela representa a mais rigorosa análise matemática feita até agora sobre a quantidade de espécies na terra e no mar.

Os autores do estudo, publicado na revista científica PLoS Biology, sugerem que 86% das espécies terrestres e 91% das marinhas ainda estão por ser descobertas, descritas e catalogadas. Essa análise é significativa por ajudar a entender a complexidade de um sistema natural em perigo de perder espécies a uma velocidade sem precedentes.

Um dos autores, o biólogo marinho Boris Worm, da Universidade Dalhousie, em Halifax, Canadá, comparou o planeta a uma máquina com 8,7 milhões de peças, cada uma delas com uma função importante. "Se você pensar no planeta como um sistema de apoio à vida de nossas espécies, você vai querer saber o quão complexo ele é. Estamos fazendo experiências com essa máquina porque estamos jogando suas peças fora o tempo todo", comparou o cientista.

Refinamento. Até agora, as estimativas da quantidade de espécies na Terra variava grandemente: de 3 milhões a 100 milhões. Cinco especialistas da Universidade Dalhousie refinaram esse número ao compilar dados taxonômicos de cerca de 1,2 milhão de espécies conhecidas e ao identificar padrões numéricos.

Eles observaram que, entre os grupos mais conhecidos, como os mamíferos, havia uma razão previsível. Ao aplicar esses padrões aos cinco maiores reinos, eles chegaram ao seguinte resultado: 7,77 milhões de espécies animais, 298 mil plantas, 611 mil fungos, 36,4 mil protozoários e 27,5 mil do reino Chromista (que incluem as algas). Vírus e outros micro-organismos foram desconsiderados.

Repercussão. "Os números são impressionantes", disse Jesse Ausubel, vice-presidente da Fundação Alfred P. Sloan, instituição filantrópica de Nova York que concede bolsas de estudo. Angelika Brandt, do Museu Zoológico da Universidade de Hamburgo, que descobriu espécies em expedições à Antártida, também elogiou o trabalho, dizendo que os biólogos "realmente tentaram descobrir as brechas" no conhecimento científico atual. / AP e REUTERS

 

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