Biometria para identificar eleitores causa transtornos na votação

O maior uso do sistema de identificação biométrica de eleitores causava alguns transtornos e atrasos em seções de votação em diversas partes do Brasil neste domingo, mas o Superior Tribunal Eleitoral (TSE) minimizou os problemas.

LEONARDO GOY E NESTOR RABELLO, REUTERS

05 de outubro de 2014 | 17h18

"Não é um problema generalizado", afirmou a jornalistas o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, acrescentando que há relatos de dificuldades pulverizados em localidades como Distrito Federal, Paraíba, Goiás e no interior do Paraná.

No Distrito Federal, onde 100 por cento dos eleitores se identificam por biometria, parte dos equipamentos não estava captando as digitais dos eleitores.

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) anunciou que pode estender a votação até depois do previsto para quem já estiver na fila até às 17h, horário oficial de fechamento das urnas.

Segundo o TRE-DF, serão entregues senhas aos eleitores para garantir o voto de quem já estava nas seções eleitorais. O Tribunal, porém, não fez uma estimativa sobre quanto tempo mais a votação em Brasília poderá demorar.

No momento, segundo o TRE-DF, estão sendo registradas filas de cerca de 20 minutos no Distrito Federal.

A biometria está sendo usada este ano em 764 municípios, onde votam cerca de 21 milhões de eleitores, o equivalente a quase 15 por cento do total do país.

O secretário de Tecnologia da Informação do TSE atribuiu os problemas a procedimentos, e não às máquinas. Ele admitiu que, apesar do treinamento dado aos mesários, "talvez tenhamos que intensificar a prática" do uso da biometria pelos eleitores.

"Não vai ter impacto no processo de fechamento das sessões, transmissão dos dados e totalização (dos votos)", assegurou ele.

PRISÕES

Até às 14h10, foram registradas 1.662 ocorrências, com ou sem prisão, de pessoas realizando práticas proibidas durante as eleições. No total, foram presos 55 candidatos e 496 não candidatos até esse horário.

O Rio de Janeiro é o Estado que teve mais candidatos presos: 16.

A maioria das detenções foi motivada por boca de urna, num total de 310 pessoas.

Também até o início desta tarde, 3.122 urnas foram substituídas no país, ou 0,72 por cento do total. Apenas duas delas foram trocadas por votação manual, uma no Espírito Santo e outra no Rio Grande do Norte.

Mais cedo neste domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Dias Toffoli, havia dito que a votação era a "mais tranquila desde a redemocratização" em 1989.

O tribunal registrou, no entanto, ocorrências isoladas de confusão em Santa Catarina e no Maranhão.

De acordo com o TSE, quatro urnas foram danificadas em São Luís, capital do Maranhão, na madrugada deste domingo e uma urna foi queimada em um incêndio em uma seção eleitoral.

Ao ser questionado sobre o incidente, Toffoli não deu detalhes, mas afirmou que as circunstâncias do acontecimento ainda serão investigadas.

"Nós temos algumas ocorrências na parte da atividade do poder policial, mas mesmo assim são ocorrências não muito significativas", avaliou Toffoli.

Já em Santa Catarina, uma viatura da Polícia Rodoviária Federal foi queimada, mas sem "relação com o processo eleitoral". A região conta com o reforço de 25 tropas das Forças Armadas para garantir a segurança.

Para o presidente do TSE, a viatura queimada em Santa Catarina não apresenta características de crime eleitoral.

"Não houve nenhum tipo de ato que seja um registro eleitoral em Santa Catarina", disse.

No Amazonas, três urnas tiveram dificuldade para chegar em locais remotos. Uma aeronave não conseguiu levantar voo no sábado por questões climáticas, atrasando a entrega nessas localidades.

Para Toffoli, todas as dificuldades registradas até o momento são "pontuais" e o que mais preocupa é a compra de votos.

(Edição de Cesar Bianconi e Gustavo Bonato)

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