Bispo de Franca comunica suspeita de pedofilia no Estado

/ FRANCA

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2010 | 00h00

Um dia após o padre José Afonso Dé, de 74 anos, ter sido indiciado por abuso sexual contra jovens de 13 a 16 anos, o bispo de Franca (SP), Pedro Luiz Stringhini, comunicou formalmente o caso à Nunciatura Apostólica, uma espécie de embaixada do Vaticano no País, com sede em Brasília.

O bispo, que está na cidade desde fevereiro, já havia afastado Dé das atividades religiosas quando a denúncia se tornou pública e a Polícia Civil começou a investigar os supostos casos de pedofilia, em meados de março.

O comunicado do bispo ocorreu anteontem, após a delegada Graciela de Lourdes David Ambrosio, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), indiciar o padre por estupro e violação sexual mediante fraude. Caso seja condenado, o pároco pode pegar de 6 a 20 anos de prisão, mas a pena cairá para a metade porque o padre tem mais de 70 anos.

Em entrevista coletiva, Dé afirmou ontem que é inocente e que aguarda posições da Justiça e da Igreja. Disse que ficou perplexo com as acusações e que os beijos citados pelos garotos não foram lascivos. Afirmou que desde pequeno sempre foi afetivo e que seus atos podem ter sido interpretados de maneira errada. Ele também garantiu que jamais tocou os genitais dos meninos.

"Nunca me aproximei deles com desejo sexual, mas com carinho e atenção", disse. O padre afirmou ainda que está "fisicamente impedido" de sentir desejo sexual por causa de quatro cirurgias a que se submeteu.

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