Bispo de Xingu critica política indianista

Na 50ª Assembleia-Geral da CNBB, d. Erwin Kläutler disse que Lula e Dilma destruíram a Amazônia e seu povo

JOSÉ MARIA MAYRINK, ENVIADO ESPECIAL / APARECIDA, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2012 | 03h07

O bispo de Xingu (PA), d. Erwin Kläutler, presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), prevê que as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff entrarão para a história como os governos que destruíram a Amazônia e o povo que vive na região.

Em entrevista ao Estado ontem, Dia do Índio, d. Erwin afirmou que a data não deveria ser de comemoração, mas sim de conscientização sobre a situação dos indígenas. Para o bispo, existe no Brasil uma cultura "anti-indígena". Pensamentos como "é terra demais para poucos índios", diz, dificultam a adoção de uma política justa.

"Se for aprovada a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá ao Congresso a última palavra na demarcação de terras, haverá um retrocesso em relação à Constituição de 1988", disse. Para d. Erwin, negócios e a exploração econômica teriam prioridade.

Há seis anos, o bispo está sob proteção policial por causa das ameaças de morte que recebeu por causa de sua luta em defesa dos índios. Em Aparecida, onde participa da 50.ª Assembleia-Geral da CNBB até o dia 26, ele só deixa o hotel e o plenário da reunião acompanhado de seguranças.

Missa. O Dia do Índio, a violência contra os povos indígenas e o meio ambiente foram lembrados também na missa da assembleia, celebrada às 7h30 no Santuário de Aparecida. "Os índios são nossos mestres na preservação ambiental e no desenvolvimento sustentável", afirmou na homilia (sermão) o bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), d. Edson Tasquetto Damian.

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