Bispos defendem direitos humanos de embrião híbrido

Bispos católicos da Inglaterra e do País de Gales querem que as mulheres tenham o direito de gestar as quimeras, que seriam mais de 99% humanas

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 08h54

Os embriões híbridos entre animais e seres humanos criados pela pesquisa na área médica devem ser encarados como humanos, e os cientistas deveriam permitir que eles se desenvolvessem e nascessem, disseram bispos católicos em um apelo ao Parlamento britânico. Os cientistas querem usar as chamadas quimeras para entender melhor doenças como Parkinson, Alzheimer e fibrose cística, e assim chegar à cura. Uma proposta de lei que será debatida pelo Parlamento britânico, neste ano, determina que as quimeras teriam de ser destruídas em até 14 dias. A legislação proposta proíbe a implantação desses embriões híbridos no útero de uma mulher. Mas bispos católicos da Inglaterra e do País de Gales querem que as mulheres tenham o direito de gestar as quimeras, que seriam mais de 99% humanas. "Não deveria ser um crime transferi-las, ou outros embriões humanos, para o corpo da mulher que cedeu o óvulo, nos casos em que um óvulo humano tenha sido usado para criá-las. Essa mulher é a mãe genética, ou mãe parcial, do embrião", disseram eles à comissão parlamentar que analisa a proposta. Os cientistas, que vêm pressionando para a aprovação das quimeras justamente por causa da dificuldade de obter óvulos humanos para pesquisa, disseram que os bispos entenderam mal o processo. "Se estamos usando óvulos de vaca, não há mulher envolvida", disse na quarta-feira, 27, Stephen Minger, pesquisador do Kings College de Londres. No processo, óvulos de animais como vacas e ovelhas teriam sua carga genética retirada. Células humanas seriam então colocadas nos óvulos "ocos", criando linhagens de células-tronco para ser usadas em pesquisas.

Mais conteúdo sobre:
embrião híbrido células-tronco

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.