Bispos reúnem-se em Havana em apoio à Igreja cubana

A 31.ª Assembléia Ordinária do Conselho Episcopal Latino-Americano é o evento católico mais importante em Cuba desde a visita de João Paulo II, em 1998

José Maria Mayrink, do Estadão

10 Julho 2007 | 17h47

A escolha de Havana para sede da 31.ª Assembléia Ordinária do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) foi um gesto de solidariedade e apoio à Igreja em Cuba, disse o secretário-geral da entidade, d. Andrés Stanovnik, em entrevista coletiva a cerca de 25 jornalistas, na maioria estrangeiros. "Queremos estar perto da Igreja cubana e estamos recebendo aqui mostras de acolhida", afirmou d. Andrés, bispo da diocese argentina de Reconquista, depois de explicar que o Celam atendeu a um convite do episcopado de Cuba, quatro anos atrás, quando se decidiu na assembléia de Lima, no Peru, onde seria feita a próxima reunião. Perguntado se o Celam estaria preocupado com a situação dos direitos humanos em Cuba e se trataria da questão de presos políticos, d. Andrés saiu pela tangente."A Igreja defende os direitos humanos, a liberdade e o respeito à vida tanto em Cuba como na Nicarágua, na Argentina ou no Brasil", respondeu. O presidente do Celam, cardeal Francisco Javier Errázuriz, arcebispo de Santiago (Chile), informou, na mesma entrevista, que a realização da assembléia em Havana não significa uma avaliação das relações entre Igreja e Estado, porque estão sendo analisadas apenas questões internas do episcopado. "Recebemos todas as facilidades (do governo cubano) para vir a Havana, como por exemplo vistos de cortesia ou descontos nas taxas de vistos", disse o cardeal. Reforçando as palavras do secretário-geral, ele acrescentou que "a Igreja se preocupa com a humanização do tratamento a todas as pessoas, especialmente os detidos e os enfermos, o que deve ser preocupação também dos governos". Os 55 bispos do Celam que vieram a Cuba terão uma reunião com diplomatas estrangeiros acreditados em Havana, mas não se reunirão, em princípio, com autoridades do país. "Não estamos aqui em visita oficial", observou o cardeal Errázuriz, acrescentando que, no entanto, os bispos se dispõem a conversar com quem quiser encontrá-los. Esse é o primeiro evento importante da Igreja católica na Cuba comunista de Fidel Castro após a visita do papa João Paulo II, em 1998. Os cubanos, porém, não tomaram, até agora, conhecimento da presença de tantos bispos estrangeiros, pois nada foi divulgado sobre a reunião. Convocada a cada quatro anos para eleger uma nova diretoria, a assembléia de Havana está reunida na Casa São João Maria Vianney, da Arquidiocese de Havana, um antigo colégio das irmãs dominicanas, onde todos os bispos estão hospedados. Além do cardeal Errázuriz e de d. Andrés, também participou da entrevista o primeiro vice-presidente da entidade, d. Carlos Aguiar, bispo de Texcoco, no México. Documento O Celam distribuiu, com autorização de Bento XVI, o texto oficial do Documento da 5.ª Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, que se reuniu em Aparecida, na segunda quinzena de maio, para discutir o papel missionário da Igreja.Segundo o cardeal Errázuriz, a versão final não é idêntica à que foi votada pelos bispos, mas é essencialmente a mesma. "Mudaram algumas frases que não estavam bem formuladas, a ênfase de alguns pontos e a ordem de parágrafos, mas no final ficou a mesma coisa", disse o cardeal chileno, acrescentando que, embora dependesse da aprovação do papa, o documento é dos bispos e não do Vaticano. Em carta enviada ao Celam com a liberação do texto, Bento XVI elogiou o destaque dado pelo Documento de Aparecida à importância da eucaristia na vida da Igreja, à santificação do domingo e ao empenho pastoral de bispos, sacerdotes, religiosas e fiéis.

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