Blackwater matou 17 deliberadamente, diz governo iraquiano

Comboio protegido por empresa de segurança americana 'não foi atacado'.

BBC Brasil, BBC

07 de outubro de 2007 | 21h10

Uma investigação conduzida pelo governo iraquiano concluiu que os guardas da empresa de segurança privada americana Blackwater não haviam sido provocados quando atiraram contra civis, em Bagdá, no mês passado. Um porta-voz do governo, Ali al-Dabbagh, disse que o comboio de diplomatas americanos que estava sendo protegido pela Blackwater não tinha sido atingido "nem por uma pedra" e que houve 17 vítimas no episódio e não 11, como havia sido divulgado anteriormente."O comitê de investigação nomeado pelo primeiro-ministro Nouri al-Maliki (...) descobriu que não há prova de que o comboio da Blackwater tenha sido atacado direta ou indiretamente", afirmou ele.A Blackwater não respondeu as últimas alegações, mas a empresa já declarou anteriormente que seus funcionários responderam, dentro da lei, a um ataque a tiros.Segundo Al-Dabbagh, o gabinete iraquiano vai examinar as recomendações do comitê investigativo e "tomar os passos legais para responsabilizar a companhia".O Comitê descobriu ainda que 22 pessoas ficaram feridas no tiroteio do dia 16 de setembro, quando funcionários da Blackwater abriram fogo contra civis, na praça Nisoor, em Bagdá.Um relatório que foi apresentado na última terça-feira ao Congresso dos Estados Unidos criticou a atuação da Blackwater no Iraque. O texto afirma que a empresa se envolveu em 195 incidentes com armas de fogo no Iraque, o que representa uma média de 1,4 por semana, e também que os agentes da Blackwater atiraram primeiro em 160 desses casos.Em depoimento aos parlamentares, o fundador da Blackwater e ex-oficial da Marinha americana, Erik Prince, afirmou que os profissionais da Blackwater só realizam funções de defesa e que seus agentes atuam em áreas do Iraque particularmente perigosas, onde sofrem constantes ataques de terroristas.A Blackwater, que é uma das principais empresas de segurança privada que atuam no Iraque, tem sido acusada de atos de violência contra civis iraquianos e de não prestar contas às autoridades do Iraque ou dos Estados Unidos. A empresa já recebeu o equivalente a US$ 1 bilhão em contratos com o governo americano desde 2001 e agora está sendo investigada pelo FBI.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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