BLUES NACIONAL PERDE UM ÍCONE

Guitarrista carioca que tocou com Raul Seixas e foi elogiado por BB King não resistiu a um câncer na garganta

JÚLIO MARIA, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 03h02

O guitarrista e bluesman Celso Blues Boy, de 56 anos, morreu às 8h15 de ontem quando estava em sua casa, em Joinville, Santa Catarina.

Um dos principais guitarristas do País desde a década de 1980, quando já havia acompanhado Raul Seixas e Sá & Guarabira, Celso, que foi elogiado por BB King, sofria de câncer na garganta.

A pedido do guitarrista, seu corpo não foi velado. Do Serviço de Verificação de Óbitos de Joinville, foi encaminhado ontem mesmo para ser cremado amanhã, no Crematório São José, em Blumenau.

Em 2004, BB King, então com 80 anos, foi entrevistado pelo Estado para falar sobre os shows que faria em São Paulo. "E no Brasil? Tem algum bluesman bom?", quis saber o repórter. "Há muitos bons músicos. Como Celso Blues Boy, com quem toquei e a quem dei uma guitarra", respondeu.

Foi em BB King, corruptela para Blues Boy King, que Celso Ricardo Furtado de Carvalho se inspirou para virar Blues Boy.

Precursor. Um dos mais notáveis instrumentistas do País, percursor no blues nacional, sempre cantando em português, Celso nasceu no Rio, em janeiro de 1956.

Sua estreia na música foi em meados da década de 1970, quando tocou na banda de Raul Seixas e acompanhou Luiz Melodia.

Descoberto pela Rádio Fluminense, Celso lançou em 1984 seu primeiro álbum, Som na Guitarra, e emplacou seu primeiro sucesso, que tocaria em todos os shows, Aumenta que Isso Aí É Rock'n Roll.

Ele deixou 12 discos lançados, sendo o último Por um Monte de Cerveja, que trazia faixas hilárias como Beth Carvalho Quer Comprar o Meu Fuscão e Odeio Rock'n'Roll, com participação dos Detonautas.

Celso vivia havia 12 anos em Joinville. Seu último show foi no Rio das Ostras Jazz Festival, em junho.

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