BNDES já emprestou mais de R$ 100 bi

É a primeira vez que os desembolsos do banco atingem essa marca em um só ano; em 2008, foram R$ 92,2 bi

Adriana Chiarini e Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2009 | 00h00

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já superaram R$ 100 bilhões no ano, como mostra o acumulado até a primeira quinzena deste mês. "Outubro vem se mostrando um mês forte. Analisando mais na ponta, já estamos com R$ 103 bilhões a R$ 104 bilhões de desembolsos", disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. É a primeira vez que os empréstimos atingem essa marca em um único ano-calendário. No ano passado inteiro, o total foi de R$ 92,2 bilhões.

Na avaliação de Coutinho, é um sinal de aceleração de investimentos, que podem voltar a liderar o crescimento econômico, como antes da crise. O objetivo é fazer com que em 2010 os investimentos no País cresçam duas vezes mais do que a expansão de 5% que o banco prevê para o desempenho econômico, traduzido no Produto Interno Bruto (PIB). "No consumo e no emprego, viramos a página da crise. Agora estamos virando a do investimento."

Desde o início da crise, o banco liberou R$ 128 bilhões (de outubro de 2008, logo após a quebra do banco americano Lehman Brothers, até o mês passado). O valor foi 52% superior aos 12 meses do período imediatamente anterior. A restrição de crédito, que caracterizou a crise global, fez com que tanto o BNDES quanto os outros bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, ampliassem seus desembolsos para tentar suprir as necessidades do mercado.

Somente a indústria recebeu financiamentos do BNDES de R$ 63,1 bilhões, 93% acima dos 12 meses anteriores. "Há sinais preliminares, porém, promissores" de que a aplicação de recursos em empreendimentos volte a puxar a economista, avalia o presidente do banco. Em agosto, a indústria voltou ao nível de utilização da capacidade instalada em torno de 80%.

O BNDES está preparado para liberar, este ano, entre R$ 120 bilhões e R$ 130 bilhões. Até agora, cerca de 50% do total de desembolsos foi para a indústria e 35% para a infraestrutura. Por grupo, o destaque absoluto é a Petrobrás, que recebeu R$ 25 bilhões do BNDES no terceiro trimestre.

Ao final de entrevista concedida ontem para divulgar o balanço trimestral da instituição, Coutinho reafirmou que não faltarão recursos suplementares do governo para que o banco mantenha o seu papel no esforço anticíclico. E afirmou ainda que a recuperação da economia deverá garantir uma maior disponibilidade de recursos próprios no caixa do BNDES.

A elaboração do orçamento do banco para 2010 já começou a ser discutida com o Ministério da Fazenda. No ano passado, o Tesouro aportou R$ 100 bilhões no BNDES para ajudar a suprir a escassez de crédito no mercado para o setor produtivo. "Há decisão política de que não faltarão recursos para o BNDES em 2010", disse Coutinho, que cobrou apoio também dos bancos privados.

"Esperamos que o mercado de capitais e o mercado de crédito voltem a financiar a economia. Estamos dispostos inclusive a ajudar, tanto o mercado de capitais quanto o de crédito." Nos 12 meses até setembro, as aprovações de projetos cresceram 36% ante igual período anterior, alcançando R$ 157,5 bilhões; os pedidos de financiamento aumentaram 25%, para R$ 215,4 bilhões, e os projetos que passaram na primeira fase de tramitação somaram R$ 180,7 bilhões, 16% acima do período anterior.

O Programa de Sustentação do Investimento (PSI), lançado em junho para estimular a antecipação de empreendimentos, terminará em dezembro, sem prorrogação. De julho até o dia 13 de outubro, a carteira do PSI somou R$ 13,6 bilhões, sendo R$ 7,1 bilhões referentes à exportação de máquinas e equipamentos e R$ 5,3 bilhões a bens de capital.

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