Boa surpresa com soja do RS compensaria quebra no NE-Agroconsult

A safra de soja 08/09 do Rio Grande do Sul está sendo considerada uma surpresa positiva, após o susto gerado por uma seca no final do ano passado, decorridos dois dias do Rally da Safra, avaliou a Agroconsult, organizadora da expedição que está percorrendo 15 Estados do Brasil com o objetivo de realizar um levantamento da colheita nacional de grãos. De outro lado, as lavouras dos Estados da Bahia e Maranhão, no Nordeste, onde se esperava uma boa colheita, sinalizam a possibilidade de perdas. "O Rio Grande do Sul (terceiro maior produtor do Brasil) está melhor do que esperávamos. Já o Maranhão está tomado por mofo branco, e a Bahia está há 25 dias sem chuvas", afirmou o diretor da Agroconsult, André Pessoa, em entrevista à Reuters. "Se o Rio Grande do Sul pode vir melhor, estávamos contando com Maranhão e Bahia bons", comentou. A soja gaúcha foi atingida pela estiagem ainda em estágio inicial, e quando as chuvas apareceram a safra conseguiu se recuperar. Questionado se avaliava reformular para cima a estimativa da safra brasileira pré-rally da Agroconsult, de 55,5 milhões de toneladas de soja, por conta da produtividade mais elevada no Rio Grande do Sul, Pessoa disse que ainda é cedo para fazer qualquer reavaliação, mesmo porque outras regiões não estão tão bem. O número da Agroconsult é inferior ao do Ministério da Agricultura, que aponta uma produção de soja do Brasil, o segundo produtor mundial, em pouco mais de 57 milhões de toneladas. Pessoa, que lidera a equipe que passará pelos Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná, recebe diariamente informações de outros colegas que rodam as lavouras de norte a sul do país. Passados apenas dois dias da expedição desde domingo, ele afirmou também que a soja de Ponta Grossa, sul do Paraná, está muito boa, mas o milho sofreu os efeitos da seca que atingiu o Estado, que causou danos especialmente para as áreas do oeste e norte paranaense. O analista salientou ainda que a produtividade de Rondonópolis e Primavera do Leste, no sul de Mato Grosso, o maior produtor nacional de soja, "está excelente". LUCRATIVIDADE AFETADA "Quebra mesmo (na produtividade) é aqui (Mato Grosso do Sul), oeste e norte do Paraná", ressaltou Pessoa à reportagem da Reuters, que acompanha a expedição em Mato Grosso do Sul e seguirá para o Paraná. Ele admitiu que embora o Paraná, segundo produtor brasileiro de soja, tenha tido a maior perda em volume de soja no país em 08/09, de cerca de 2 milhões de toneladas em relação à expectativa inicial, o Mato Grosso do Sul talvez possa apresentar a maior perda percentual. Essa perda em Mato Grosso do Sul, que ocorreu tanto nas lavouras de ciclos precoces como tardios, segundo Pessoa, ainda não aparece no levantamento do Ministério da Agricultura, divulgado na segunda-feira. O governo estimou em 4,09 milhões de toneladas a safra sul-mato-grossense, pouco acima da previsão do ano passado, apontando uma produtividade de 2.384 quilos por hectare. Mas, para o agrônomo Lucas Galvan, da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, os técnicos da Conab, que realizaram o levantamento entre os dias 16 e 20 de fevereiro, não conseguiram aferir as perdas decorrentes de uma falta de chuva e altas temperaturas após o Carnaval, ocorrido no final do mês passado. "A soja precoce já tinha sofrido com a seca... as lavouras de ciclos médio e tardio estavam com um bom potencial produtivo, mas como faltou chuva, esse potencial pode ser que tenha sido reduzido", destacou Galvan. Pelas informações apuradas até o momento, diante da quebra da produtividade, dificilmente a atual safra dará um retorno satisfatório para boa parte dos produtores, segundo Galvan. "Ele tem que ter uma eficiência boa para cobrir os custos de produção. Plantou uma safra com preços de insumos elevados... E o que estamos vendo é que vai fechar no vermelho."

ROBERTO SAMORA, REUTERS

10 de março de 2009 | 12h58

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