BofA diz que países do Brics só tem tamanho em comum

Relatório do banco defende que bloco econômico se dissolva, em função das crescentes divergências

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2016 | 16h54

NOVA YORK -  Chegou o momento de separar os Brics, o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, defende o Bank of America Merrill Lynch, em relatório publicado recentemente. Para o economista-chefe do banco norte-americano, Ethan Harris, a crescente divergência entre os países do grupo, com as recessões na economia brasileira e russa enquanto a Índia é um dos países que mais crescem no mundo, deixou a sigla ainda menos útil.

"Agrupar estas economias muito diferentes juntas nunca foi muito útil para a análise econômica global. A única coisa que estes países têm em comum é o tamanho", argumenta Harris, que destaca que está na hora certa para a separação do grupo. A expressão Bric foi cunhada em 2001 pelo então economista do Goldman Sachs, Jim O'Neil. Na época, ele argumentou que o grupo respondia por 40% da população mundial e seria cada vez mais relevante para o PIB mundial, destaca o relatório do BofA.

Para Harris, seria mais útil que a sigla Brics fosse quebrada, sendo reduzida a apenas IC, Índia e China. Mesmo no caso populacional, o grupo tem apresentado divergências, ressalta ele. Em 2015, o crescimento da população foi de 0,2% na Rússia e 0,5% na China, enquanto no Brasil e na Índia o porcentual foi maior, de 0,9% e 1,2%, respectivamente. Como reflexo, a distribuição etária tende a ficar ainda mais divergente entre estes mercados, com a população mais jovem tendo maior parcela na economia brasileira e indiana.

Para Harris, uma abordagem mais útil é avaliar os países emergentes com fatores comuns, como os produtores de commodities, ou os que são apenas consumidores de commodities ou ainda aqueles com população predominante mais jovem ou mais velha. "É um grupo estranho", afirmam o economista do BofA ao falar dos Brics: "Dois são grandes produtores de commodities (Brasil e Rússia) e dois são grande consumidores (China e Índia), daí suas moedas e economias muitas vezes estarem fora de sincronia."

O BofA argumenta ainda que os países que formam o grupo tem sistemas políticos e modelos de crescimento diferentes. "Eles não têm laços políticos fortes além das reuniões dos Brics", afirma Harris, destacando ainda que as economias têm diferentes desafios geopolíticos.

A evolução econômica do grupo nos últimos anos contribuiu para tornar a divergência ainda mais acentuada. "Brasil e Rússia entraram em recessões profundas e agora estão em um processo de leve recuperação. Por contraste, o crescimento na Índia e na China permanece robusto."

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