Bolívia lança bebida energética à base de folha de coca

Com o apoio do presidente Evo Morales, empresários bolivianos lançaram uma bebida energética elaborada com folhas de coca, em uma nova tentativa de esvaziar a investida do governo dos Estados Unidos para retirar a planta da lista de substâncias entorpecentes. A apresentação da bebida Coca Brynco ocorreu faltando apenas duas semanas para a conclusão do processo de consulta solicitado por Morales junto à Organização das Nações Unidas (ONU) para descriminalizar o uso tradicional da coca.

MARINA GUIMARÃES, Agência Estado

19 de janeiro de 2011 | 17h53

A planta, que é sagrada para a comunidade indígena boliviana e usada pela população em infusão medicinal, mastigação e cerimônias religiosas andinas, é a principal matéria-prima para a elaboração da cocaína. "Com este produto queremos reafirmar que a folha de coca é saudável e queremos informar no âmbito internacional que esta folha é sagrada e não daninha. Devemos defender que nossa coca não é droga", disse a ministra de Desenvolvimento Rural, Nemesia Achacollo, durante o lançamento, hoje, na Bolívia.

O gerente de produção da empresa que fabrica Coca Brynco, Johnny Vargas, disse que o grupo investiu US$ 1 milhão na nova indústria. A capacidade de produção é de cinco mil litros diários da bebida. "Temos a intenção de ampliar a produção para 40 mil litros diários, dentro de dois anos, e de exportar para os países vizinhos", disse Vargas. Há dois anos, outra empresa boliviana também lançou no mercado uma bebida similar, mas o produto não decolou.

A Bolívia é o terceiro produtor mundial de folhas de coca, depois da Colômbia e do Peru. Praticamente toda a população indígena vive do trabalho nas lavouras. Quando foi eleito presidente, em 2005, Morales assumiu o compromisso de lutar pela descriminalização da planta. Mas a diplomacia norte-americana se opõe e prepara uma apresentação junto à ONU contra a iniciativa de Morales de terminar com a proibição do cultivo e uso das folhas de coca.

O governo dos EUA argumenta que, se o plantio for liberalizado, abriria um precedente para que qualquer outro país tente excluir alguma das 119 substâncias classificadas como narcóticos. A Casa Branca considera que isso seria perigoso e atentaria contra os esforços mundiais de combate ao uso de drogas. As autoridades brasileiras também se preocupam com as plantações de coca na Bolívia. A Polícia Federal estima que 80% da pasta de cocaína que entra no Brasil seja de origem boliviana.

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