Bolívia nacionaliza empresa telefônica e 4 petrolíferas

Empresa de subsidiária do grupo Telecom Italia é nacionalizada por decreto.

Da BBC Brasil, BBC

01 de maio de 2008 | 17h55

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou nesta quinta-feira que o seu governo assumiu o controle da Entel, a principal companhia telefônica do país, e de outras quatro empresas de petróleo.Segundo a agência de notícias do governo, a Entel - que pertencia a Euro Telecom International, subsidiária do grupo italiano Telecom Italia - foi nacionalizada por decreto.Também por meio de decretos, o governo de Morales adquiriu a maioria acionária da petrolífera Chaco, que pertencia à British Petroleum, da Transredes, que era da britânica Ashmore e da anglo-holandesa Shell, e da CLHB, de capital alemão e peruano.Já no caso da petrolífera Andina, o governo anunciou a compra de 50% das ações mais uma no valor de US$ 6 milhões, após "árduas negociações" com a espanhola Repsol YPF, segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI). A Repsol YPF manterá 48% das ações da Andina, que controla 18 campos de petróleo no país.ResistênciaA exemplo do que já fizera nos últimos dois anos, Evo Morales anunciou a nacionalização das empresas no 1º de maio, Dia dos Trabalhadores.Morales tem dito que seu programa de nacionalização tem como objetivo conseguir "sócios e não patrões" na exploração dos recursos do país.Mas muitas empresas estrangeiras com investimentos na Bolívia vêm resistindo às nacionalizações, se recusando a negociar com o governo.Segundo a enviada especial da BBC Brasil à Bolívia, Marcia Carmo, a Entel, nacionalizada por decreto nesta quinta-feira, era uma das empresas que mais resistia ao processo de nacionalização de multinacionais no país.Nos últimos meses, a empresa foi multada repetidas vezes pelo governo, que cobra uma dívida tributária de mais de US$ 25 milhões."Se nos atrasamos mais de dois anos (para nacionalizar), não foi por fraqueza ou por negligência, quero que saibam que tentamos dialogar, negociar com a Euro Telecom, os ministros se esforçaram, mas lamentavelmente não houve vontade", disse Morales ao anunciar o decreto de nacionalização.DiscursoO presidente discursou para uma grande concentração de bolivianos que celebrava o Dia dos Trabalhadores na Praça Murillo, em La Paz. Em seguida, ele leu o decreto 29.544, que nacionaliza a empresa de telecomunicações.A Chaco e a Transredes, que também se recusavam a negociar com o governo, foram nacionalizadas pelo decreto 29.541, que reivindica em nome do governo 50% mais uma das ações das duas empresas. O governo já tinha 48% das ações das empresas antes da nacionalização, segundo a agência estatal de notícias boliviana.Já no caso da CHLB, que havia sido privatizada na década passada, o decreto do governo boliviano nacionaliza 100% das ações da empresa."Desta maneira, está consolidada a chamada refundação da YPFB", disse o presidente boliviano."Temos dito que precisamos de sócios e não de patrões, na verdade precisamos de investimentos", acrescentou Morales. "O governo garantirá que as empresas estrangeiras que respeitam as normas bolivianas invistam, mas que invistam como sócias."Ao falar sobre a Andina, Morales elogiou o governo espanhol nas negociações. "Estes acordos nos levam a ter maior confiança entre duas nações como Espanha e Bolívia, entre empresas e empresas", disse o líder boliviano.Nos últimos dois anos, a Bolívia nacionalizou dezenas de companhias estrangeiras, entre elas duas refinarias da brasileira Petrobras.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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