Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Bolsa cai pressionada por crise e petróleo

Ibovespa fecha em queda de 0,24%, a quarta retração consecutiva, apesar de dados positivos de inflação; dólar teve baixa de 0,48% ontem

O Estado de S.Paulo

07 Julho 2017 | 22h59

A Bolsa fechou em leve baixa nesta sexta-feira, 7, pressionada pela queda nos preços do petróleo e da persistente cautela quanto à crise política, que tira força do presidente Michel Temer para permanecer no cargo. O Ibovespa fechou em queda de 0,24% na última sexta-feira – sua quarta baixa consecutiva –, encerrando o pregão a 62.322 pontos e acumulando perda de 0,92% na semana. O volume financeiro somou R$ 6,73 bilhões.

O Ibovespa chegou a subir até 0,73% pela manhã, mas uma forte queda dos preços do petróleo levou o índice ao negativo, puxado principalmente pelas ações da Petrobrás, que caíram 1,93% (ON) e de 1,97% (PN).

Os preços do petróleo continuaram a refletir as especulações em torno do desequilíbrio entre oferta e demanda. A commodity chegou a ter oito altas consecutivas, mas nesta semana sucumbiu. O barril do petróleo WTI para agosto fechou em queda de 2,83%, a US$ 44,23. O Brent para setembro recuou 2,91%, a US$ 46,71.

“A semana não foi muito boa para o mercado de ações, principalmente porque o Banco Central Europeu e o Federal Reserve sinalizam que os programas de estímulo estão chegando ao fim. Isso acaba afetando todo o sistema financeiro, uma vez que a redução de liquidez começa antes”, diz Pedro Galdi, da Upside Investor.

Entre as ações que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram de Lojas Americanas PN (+4,36%) e Smiles ON (+2,90%). A lista de ganhos inclui ainda BR Malls ON (+1,79%), Hypermarcas ON (+1,48%) e MRV ON (+0,77%).

As ações do setor financeiro, grupo de maior peso na composição do Ibovespa, seguiram em sentidos opostos, tendo Banco do Brasil ON (-1,33%) a maior perda. No acumulado da semana, quase todos os papéis do setor caíram, refletindo, principalmente, a crise política.

Crise e inflação. A tentativa de recuperação da Bolsa vista no início do pregão ganhou respaldo nos números mais fracos de inflação. A taxa, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Amplo (IPCA) fechou junho com baixa de 0,23%, ante uma variação de +0,31% em maio. Foi a primeira deflação desde 2006.

“O dado de inflação de hoje reforçou a confiança na economia e, com o mercado confiante na manutenção da equipe econômica e substituição de Temer, tiraria a incerteza política do caminho”, disse o diretor de câmbio da Abrão Filho, Fernando Oliveira.

Em meio à melhora na confiança econômica com a deflação de junho, o debate em torno do destino do presidente Temer ganhou força, após o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), fazer um aceno ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Segundo especialistas, o nome de Maia tem agradado ao mercado, embora a cautela ainda determine um volume mais baixo de operações. Com isso, o dólar encontrou espaço para cair em relação ao real. No mercado à vista, o dólar teve baixa de 0,48%, cotado a R$ 3,2837.

Para o sócio e gestor da corretora Absolute Roberto Serra, a leitura mais otimista do mercado sobre o quadro político foi o principal vetor de queda do dólar. No entanto, ele lembrou que o clima no Planalto não deve ser tão fácil, uma vez que “Temer não vai entregar os pontos de graça, o que pode gerar um embate e piorar a crise”.

O exterior também contribuiu para a queda do dólar, depois da divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos. Embora o país tenha criado 222 mil vagas em junho, acima da previsão de 174 mil, o ganho salarial, de 0,15%, ficou abaixo da projeção. / NIVIANE MAGALHÃES e PAULA DIAS, COM REUTERS

Mais conteúdo sobre:
Michel Temer Federal Reserve IPCA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.