Bolsa perde a liderança do ranking

Bovespa rende 0,05% em outubro e só bate o lanterna dólar; ouro lidera

Renata Gama, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) perdeu em outubro a liderança mensal dos investimentos, que vinha sendo mantida desde julho. Após forte oscilação, o índice fechou o mês com alta tímida, de 0,05%.

O investimento que assumiu o primeiro lugar foi o ouro, rendendo 3,22% no mês. Mas, se olhado o desempenho anual até outubro, o Ibovespa continua líder (63,9%), com rendimento quase dez vezes superior ao do segundo lugar, os Fundos RF (6,91%). O dólar se manteve na rabeira do ranking com queda de 0,90% no mês . No ano, o dólar também é a última colocada entre as aplicações (-24,80%).

Na opinião do administrador de investimentos Fábio Colombo, a alta volatilidade no mercado motivou a redução do ritmo de alta da bolsa. "O mercado está muito nervoso", disse, acrescentando que há sinais contraditórios no cenário global.

"Saíram indicadores dos EUA de alta do PIB que animaram os investidores, mas não se sabe se essa recuperação vai se manter. Está chegando momento em que o efeito dos pacotes dos governos vai acabar. E já se fala em alta de juros."

Ao mesmo tempo, há o movimento de realização de lucros. "A Bolsa vem sendo líder desde julho, não é razoável que vá se comportar assim sempre. A gente segue a tendência mundial, mas a nossa bolsa subiu bem mais que as bolsas ao redor do mundo. A alta estava excessiva. Em algum momento haveria queda", considerou.

Em vigor desde o dia 19, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% sobre capital estrangeiro também contribuiu para a saída de investimentos, observou. "Os investidores estrangeiros estavam entrando muito forte no Brasil para aplicar em bolsa. E quem quer entrar e sair rapidamente foi afetado."

Para o consultor Marcos Crivelaro, o IOF influenciou muito pouco. "No IOF não aposto. O efeito foi pequeno. Houve impacto logo no dia seguinte, uma reação do mercado. Mas, nos outros dias, atenuou. Na minha opinião, é realização de lucros."

Segundo Crivelaro, esse movimento é liderado por estrangeiros. "Houve repatriações de dinheiro. Havia concentração aqui como um porto seguro", observa. "Tem muito capital voltando para países que estavam em crise e agora se mostram em recuperação", diz.

A ascensão do ouro no ranking, para Crivelaro, ocorre mais pela queda dos demais rendimentos no mundo do que pelo desempenho do investimento em si.

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