Bolsas federais animam cursos de estaduais de SP

Unesp e USP são as que há mais tempo oferecem residência em Veterinária; professores elogiam decisão do MEC

O Estado de S.Paulo

16 Abril 2012 | 03h05

O novo status que o Ministério da Educação (MEC) deu para a residência em Medicina Veterinária animou os profissionais das instituições que oferecem os cursos de residência mais tradicionais do País - não contemplados com as bolsas federais. "Foi muito importante esse movimento e, a médio prazo, as universidades estaduais poderão também receber essas bolsas", afirma o professor Antonio José de Araujo Aguiar, do curso de Veterinária da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, interior de São Paulo.

A residência em Botucatu foi a primeira do País e completa no ano que vem 40 anos de história. Criada em 1973, antecedeu a própria inauguração da Unesp - que data de 1976. "Tínhamos atendimento de casos da redondeza, mas nem existia o hospital universitário", diz Aguiar, ex-coordenador da residência e membro da comissão que trata do tema no Conselho Federal de Medicina Veterinárias (CFMV).

Para ele, é difícil explicar por que a residência nessa área demorou décadas para ser oficializada pelo MEC. "Em um futuro próximo, esperamos que o MEC terá condições para avaliar os programas. Já estamos em uma fase de trabalhar com o MEC a criação de diretrizes curriculares de programas da residência."

Com um dos principais programas do país, a Unesp de Botucatu oferece a cada ano cerca de 30 vagas para novos residentes. A bolsa é menor que a federal, e fica em torno de R$ 1,2 mil -parte paga pela Secretaria Estadual de Saúde e outra pela universidade.

Hoje professor do departamento de Cirurgia da área de Grande Animais do curso da Universidade de São Paulo (USP), Luis Claudio Lopes Correia da Silva é ex-residente da Unesp. Ele ressalta que na última década os esforços para melhorar os cursos vieram apenas das instituições e do CFMV. "Com a decisão do MEC, são dois passos importantes: o reconhecimento e o financiamento", completa.

A residência na USP foi a segunda do País, iniciada em 1983. Oferece, em média, 17 vagas, com uma bolsa em torno de R$ 800. O salário não é alto e o trabalho, enorme - como em todas as residências. "É muito cansativo porque a gente passa muitas noites acordado, em plantão, cuidando dos animais", explica Daniel Golcman, 25 anos, do primeiro ano da residência na USP. "Mas é muito agradável, se aprende demais e se vive intensamente." / P.S.

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