Bolsistas de pós terão reajuste de 10%

Alunos de mestrado e doutorado com bolsas da Capes e do CNPq não têm aumento há 4 anos

CARLOS LORDELO, CRISTIANE NASCIMENTO, ESTADÃO.EDU, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2012 | 03h04

As bolsas pagas pelo governo federal a estudantes de pós-graduação stricto sensu sofrerão um reajuste de 10% a partir de 1.º de julho. Os valores estavam congelados havia quatro anos. Os mestrandos passarão a receber R$ 1.320 mensais e os doutorandos, R$ 1.980.

Em janeiro também deve ocorrer uma correção para repor a inflação. Ainda não está definido se será considerado todo o período sem reajuste ou apenas o ano de 2012. O aumento foi anunciado ontem à tarde pelos presidentes da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agências de fomento à pesquisa do governo vinculadas, respectivamente, aos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Jorge Guimarães (Capes) e Glaucius Oliva (CNPq) participaram do 23.º Congresso Nacional de Pós-graduandos, no câmpus da Unifesp na Vila Mariana, zona sul. O evento reúne 400 estudantes de todo o País e termina amanhã, com a eleição da nova diretoria da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG).

Para Elisangela Lizardo, atual presidente da associação, o aumento é fruto da mobilização dos estudantes. "O valor é muito aquém do que a gente esperava. Vamos permanecer em campanha por um reajuste de 40%."

A ANPG pede que aos valores das bolsas em 2005 devem-se somar 50%, segundo previsto no Plano Nacional de Pós-graduação, mais a inflação do período 2005-2010 (27,89%). Os cálculos, diz a entidade, levam ao resultado de um reajuste dos atuais R$ 1.200 para R$ 1.672,16 (mestrado) e de R$ 1.800 para R$ 2.479,78 (doutorado).

O presidente do CNPq espera "chegar em breve" a um aumento de 40%. "Vamos trabalhar juntos para que isso ocorra", disse Oliva. No dia 29 de março, mestrandos e doutorandos de todo o País paralisaram as atividades acadêmicas e de pesquisa para cobrar o reajuste. "Queremos uma política permanente de valorização das bolsas de pesquisa, com reajustes anuais e atenção para a assistência estudantil", afirmou Elisangela.

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