Bomba caseira explode no Jardim Botânico, no Rio

Uma bomba caseira explodiu nesta quarta-feira por volta de meio-dia na escadaria de acesso ao salão principal da Escola Nacional de Botânica Tropical, que fica no Jardim Botânico do Rio. Ninguém ficou ferido. Segundo a direção da escola, uma turma de 20 alunos da pós-graduação havia deixado o prédio cerca de uma hora antes.

FELIPE WERNECK, Agência Estado

27 de março de 2013 | 19h13

Agentes da Polícia Federal foram ao local e fizeram uma perícia. O artefato estava dentro de uma caixa, que teria sido deixada no local de madrugada, disse a vice-diretora, Neusa Tamaio. Há uma câmera direcionada para a entrada da escola, mas não estava funcionando. "É o primeiro jardim botânico que sofre um atentado, nunca houve isso em lugar nenhum do mundo. Aqui é um lugar de ciência, natureza, paz e contemplação. Isso é um absurdo, uma coisa injustificável. Só espero que a polícia possa investigar alguma pista", disse o presidente do Jardim Botânico, Liszt Vieira. "Não posso atribuir isso a ninguém. Não me cabe especular. Não tenho nenhuma prova, não posso fazer ilação", ele acrescentou.

Suspensas nesta quarta-feira à tarde, as aulas e visitas serão retomadas nesta quinta (28). "Seja qual for o interesse de eventuais provocadores, enganam-se os que pensam que podem conseguir algo fora da lei e das regras democráticas vigentes", posicionou-se o ministério do Meio Ambiente, por meio de nota.

A dirigente da escola informou que a vigilância será reforçada e a câmera, trocada. O salão principal havia sido alugado para um evento privado na noite anterior e três funcionários chegaram pela manhã para retirar equipamentos. "O vigilante viu a caixa quando chegou, às 7 horas, e imaginou que tinha sido deixada após o evento. Foi uma grande explosão, que assustou muito e levantou uma poeira branca. Por sorte, nenhum funcionário estava passando", disse Neusa.

"Estamos tentando entender esse recado. Não temos como acusar ninguém, mas também não podemos fazer vista grossa em relação ao fato de que estamos em uma região de conflito. Nossa convivência com os vizinhos é tranquila, mas sabemos que há uma coisa política por trás. O momento é delicado, porque o Liszt está saindo", acrescentou a vice-diretora.

Liszt, que assumiu o cargo em 2003, está no centro de uma disputa fundiária com moradores que vivem em casas construídas dentro dos limites do parque, entre eles ex-funcionários, ameaçados de remoção em disputa judicial. As casas foram doadas por administrações anteriores desde a fundação do Horto, há 200 anos. Está prevista para ocorrer a partir de segunda-feira a demolição de sete casas. Ao todo, cerca de 620 famílias vivem no Horto.

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