Bomba da polícia quebra vidro de entidade médica em SP

Na manhã seguinte ao quarto e mais violento protesto contra o aumento das tarifas, ainda era possível ver marcas dos confrontos entre a Polícia Militar e os manifestantes nas ruas do centro da capital paulista. A sede do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), na Rua da Consolação, foi um dos prédios atingidos.

CAIO DO VALLE, Agência Estado

14 Junho 2013 | 14h25

Ali, segundo funcionários que trabalham na recepção, uma bomba de gás lacrimogêneo lançada pela PM fez uma parte da porta de vidro da entrada estourar. Com isso, o material químico penetrou na recepção, impedindo a permanência das pessoas no recinto.

A ação da polícia, que atirou bombas e balas de borracha contra manifestantes e até jornalistas, ocorreu por volta das 19h de quinta-feira, 13. Às 11h desta sexta-feira, 14, o cheiro e os efeitos do gás lacrimogêneo seguiam perceptíveis no hall da entidade.

"Estou tentando lidar com isso tomando mais água, mas sinto minha garganta e meus olhos arderem", disse a recepcionista Ivani Gregório, de 56 anos. "Aqui parecia uma praça de guerra", contou o segurança Edvan André Rocha, de 41.

Perto dali, na Rua Caio Prado, o vidro de uma banca de revistas foi quebrado. Uma das portas de aço se amassou, aparentemente com um tiro de bala de borracha. "Ontem, fechei mais de uma hora mais cedo, porque fiquei com medo", afirmou a dona, que não quis ser identificada. Segundo ela, o prejuízo passa de R$ 600.

A esquina das duas ruas foi o palco de um dos piores atritos entre manifestantes e policiais. "Vi a PM dar muita borrachada e soltar muita bomba. A fumaça de gás lacrimogêneo entrou no meu apartamento", disse o universitário César Ferreira, de 24 anos, que viu e gravou a confusão do segundo andar de um prédio na Rua da Consolação.

Três agências de bancos na Avenida Ipiranga e na Rua Augusta foram pichadas com frases como "3,20 não", em alusão ao novo preço da tarifa. No Bradesco da Avenida Ipiranga, portas de vidro estavam quebradas.

Na Praça Ramos de Azevedo, onde a manifestação teve início, havia algumas pichações contra o aumento do preço da passagem em prédios e monumentos.

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