Bombeiros são libertados no Rio de Janeiro

Depois de uma semana detidos por conta da invasão ao quartel central da corporação, bombeiros eram libertados na manhã deste sábado de uma unidade da PM em Niterói.

REUTERS

11 Junho 2011 | 10h08

Eles foram recepcionados por parentes e amigos e recebidos com queima de fogos. "É uma emoção muito grande poder deixar o quartel e ver minha família, mas a nossa luta continua. Obrigado população do Rio que nos apoiou", disse um bombeiro.

Os bombeiros deixaram o local marchando e carregando bandeiras do Brasil e faixas com pedidos de socorro e anistia.

Muitos seguiram para a Assembleia Legislativa do Rio para se juntar a um grupo que fazia vigília no local desde a prisão dos colegas.

Deputados federais do Rio e de São Paulo conseguiram um habeas corpus para os 439 bombeiros presos na manhâ do sábado passado depois da invasão ao quartel central.

Os líderes do movimento, que estavam detidos em uma unidade militar na capital do Rio de Janeiro, foram os primeiros a serem soltos. Eles seguiram para Niterói, onde estavam os demais colegas, para aguardar a libertação deles.

Os oficiais de Justiça com alvarás de soltura chegaram ainda de madrugada na unidade de Niterói. A lista de alvarás era menor que o total de presos e, por isso, alguns bombeiros demoraram a ser liberados.

Os bombeiros decidiram sair juntos do quartel para mostrar a união da categoria que luta por melhores salários e condições de trabalho.

"A primeira fase foi vencida. Agora, o que nós queremos é a anistia administrativa e criminal", disse o bombeiro Vanderlei Duarte, ao se referir à denúncia do Ministério Público encaminhada à Justiça.

Um inquérito também foi aberto na Justiça Militar para apurar as transgressões cometidas pelos bombeiros na invasão ao quartel central da corporação.

"Vamos querer sentar também com o comando da corporação para discutir um aumento real de salário. O que foi feito foi só uma antecipação", acrescentou Duarte.

Para tentar conter a rebelião dos bombeiros, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou a recriação da Secretaria de Defesa Civil e decidiu antecipar para julho um aumento para a categoria que seria dado mensalmente (5,5 por cento) até dezembro.

A categorai reivindica aumento do piso salarial de 950 para 2 mil reais, vale-transporte e melhores condições de trabalho.

Os bombeiros prometem mais manifestações no Rio nos próximos dias. "Não vamos parar até que se chegue a um consenso", declarou Laércio Soares, porta-voz do movimento.

No domingo deve ocorrer uma passeata dos bombeiros na orla do Rio. A previsão é que policiais e professores do Estado, que também estão em campanha por melhores salários e condições de trabalho, engrossem a manifestação.

O comando da PM determinou que policiais fiquem de prontidão nos quartéis no fim de semana, em uma tentativa de esvaziar o movimento

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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